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Discutindo a homofobia e o machismo, espetáculo “Tom na Fazenda” retorna a Belo Horizonte em curta temporada

Traduzido por Armando Babaioff, peça adapta o texto do canadense Michel Marc Bouchard, sob a direção de Rodrigo Portella; elenco reúne Armando Babaioff, Denise Del Vecchio, Iano Salomão e Camila Nhary

Após sucesso internacional, e às vésperas de completar nove anos em cartaz, com mais de 200 mil espectadores e quase 600 apresentações, o espetáculo “Tom na Fazenda” vem pela segunda vez a Belo Horizonte, com curta temporada no Centro Cultural SESIMINAS. A peça fica em cartaz nos dias 13 e 14 de março, às 20h, e 15 de março, às 18h. A produção, dirigida por Rodrigo Portella, é uma adaptação do texto do dramaturgo canadense Michel Marc Bouchard, com tradução de Armando Babaioff. Os ingressos estão à venda na plataforma Sympla ou na bilheteria do teatro, duas horas antes do espetáculo. Este projeto conta com incentivo da Lei Rouanet, patrocínio da Petrobras e realização do Ministério da Cultura.

Na história, o publicitário Tom (Armando Babaioff) vai à fazenda da família para o funeral de seu companheiro. Ao chegar na casa, descobre que a sogra Agatha (Denise Del Vecchio) nunca tinha ouvido falar de sua existência e tampouco que o próprio filho era gay e, para piorar, descobre que ela está a espera de Helen, a suposta namorada do filho morto, que na verdade é Sara (Camila Nhary). Nesse contexto, o protagonista é envolvido em uma trama de mentiras criada por Francis (Iano Salomão), o truculento irmão do falecido, estabelecendo com aquela família relações de complexa interdependência. A fazenda, aos poucos, vira um cenário perigoso, onde quanto mais os personagens se aproximam, maior o choque de suas contradições.

O espetáculo, vencedor dos Prêmios da Associação de Críticos de Teatro de Quebec, Shell, Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Associação de Produtores de Teatro (APTR), entre outros, foi apresentado no Canadá, França, Reino Unido, Suíça e Bélgica, e nos importantes Festivais de Avignon e Edimburgo, com crítica elogiosa do jornal britânico The Guardian e da revista estadunidense The New Yorker. Em Paris, no celebrado Théâtre Paris-Villette, bateu o recorde de público e bilheteria da história do teatro. Foi a primeira vez que um espetáculo latino-americano ocupou o palco daquele espaço, rendendo críticas positivas dos jornais franceses Le Monde e Libération.

Mesmo espetáculo, sentimentos diferentes — A peça retorna a Belo Horizonte após três anos, mas para o intérprete de Tom a produção se transformou ao longo dos anos. “O texto de Michel Marc Bouchard permanece intacto na sua essência. A encenação criada por Rodrigo Portella mantém a sua espinha dorsal. Mas o espetáculo mudou porque nós mudamos. Eu mudei. O mundo mudou. Tom na Fazenda é um drama familiar que ganha a cada dia uma dimensão ainda mais urgente. As discussões sobre o patriarcado, masculinidade, violência e silenciamento atravessaram esses anos com força. A peça absorve todas essas discussões como uma esponja: apesar de não falar diretamente delas, é um drama familiar, é a minha família, a família de quem estiver assistindo. Certas falas soam mais perigosas. Os silêncios pesam diferente. A peça amadureceu, está mais essencial, talvez mais cruel, e ao mesmo tempo mais humana”, afirma Babaioff. O ator que vive o protagonista também pontua que outro fator se altera: a percepção do público. “O que muda de cidade para cidade não é a história, é a escuta. É a experiência de encontro e de diálogo, um desses momentos em que o teatro se torna lugar de espelho e de transformação. Cada plateia reage a partir da sua própria vivência coletiva. Belo Horizonte é um polo cultural fundamental do país, berço de tantos talentos e uma cidade historicamente acostumada ao teatro. Isso faz diferença. Sempre somos atravessados por uma entrega rara da plateia, um silêncio atento, quase concreto, seguido de conversas intensas depois das sessões. Belo Horizonte nos marcou por essa qualidade de público e presença: é uma cidade que não apenas assiste, mas pensa junto, sente junto e dialoga. Por isso é sempre bom voltar a Belo Horizonte”, reflete o ator.

Denise Del Vecchio concorda com o colega e ressalta o diferencial dos espectadores e espectadoras mineiros “Será um reencontro com o público com o qual já tive vários e exitosos encontros. Minas Gerais sempre respondeu com interesse, comparecendo aos espetáculos que tive a oportunidade de apresentar. Então, nessa temporada de TNF em BH, eu espero poder novamente desfrutar da cumplicidade e do carinho que sempre recebi. E o público terá a oportunidade de assistir a um espetáculo que vem ganhando plateias nos mais diversos lugares do Brasil e do mundo. Para mim é a oportunidade de fazer parte desse espetáculo que discute um assunto ainda e cada vez mais urgente na nossa sociedade”, afirma Del Vecchio. A atriz também pontua que a sua personagem é bastante desafiadora quando comparada a outros trabalhos, mas também enxerga pontos comuns. “Aghata é bastante diferente da maioria das mulheres que fiz na TV, mas numa coisa ela se iguala. Ela é oprimida e reprodutora do sistema patriarcal que nos oprime. A cada noite busco, com meus anos de experiência, dedicação e disciplina – junto com esse elenco incrível –, levantar os questionamentos e o dever de modificar esse panorama de discriminação, alienação e violência”, sustenta Denise Del Vecchio

FICHA TÉCNICA

Texto: Michel Marc Bouchard

Tradução: Armando Babaioff 

Direção: Rodrigo Portella

Elenco: Armando Babaioff, Denise Del Vecchio, Iano Salomão e Camila Nhary

Cenografia: Aurora dos Campos

Iluminação: Tomás Ribas

Figurino: Bruno Perlatto

Direção Musical: Marcello H.

Coreografia e Movimento: Toni Rodrigues

Luz: Tiago D’Avila

Redes Sociais: Victor Novaes

Contrarregra: Thiago Katona

Produção Executiva: Dalila Tardelli e Priscilla Kern

Coordenação de Comunicação / Produção Internacional: Marcelo Veloso

Direção de Produção: Sérgio Saboya e Silvio Batistela - Galharufa Produções

Administrativo / Financeiro: Letícia Napole e Marina Paiva - Vianapole Arte e Comunicação

Idealização: Armando Babaioff

Coordenação Nacional de Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

Assessoria de Imprensa local (Belo Horizonte): Capivara Comunicação – Arthur Santana, Lucas Oliveira e Natália Vianini

SERVIÇO:

Estreia: 13 de março de 2026, apresentações também nos dias 14 e 15 de março

Local:  Centro Cultural SESIMINAS - R. Álvares Maciel, 59, Santa Efigênia, Belo Horizonte

Horários: Sexta-feira às 20h / Sábado às 20h / Domingo às 18h 

Ingressos: Sympla; vendas antecipadas somente online. Vendas na bilheteria somente duas horas antes do espetáculo. 

Capacidade: 660 pessoas

Duração: 120 minutos

Gênero: Drama

Classificação Indicativa: 18 anos

Foto: Kit McCarthy

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