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Novo espaço cultural: jovens que vivem nas ruas fazem cinema em Belo Horizonte

Espaço Cultural Filme de Rua será inaugurado no dia 12 de março na Avenida Afonso Pena. Com apoio do programa Rumos Itaú Cultural, projeto envolve cerca de 15 meninos e meninas como diretores, produtores e protagonistas do roteiro diário das grandes cidad

Ajustar o obturador, diafragma e anel de foco. Escolher e ensaiar as falas da cena, produzir o figurino, a iluminação e a trilha sonora. Roteirizar, editar, conceber ou finalizar um filme. Nos últimos anos, essa tem sido, também, a realidade de cerca de 15 jovens que vivem nas ruas de Belo Horizonte e que integram o projeto Filme de Rua. No próximo dia 12 de março, às 19h, essa produção estará oficialmente em contato aberto com a cidade, na inauguração do Espaço Cultural Filme de Rua, primeiro ponto voltado ao intercâmbio entre a prática do audiovisual e a produção artística da população que vive nas ruas da capital mineira. O espaço funcionará no andar térreo do edifício SulAmérica, Avenida Afonso Pena, 941, loja 8, Centro.

 

Com apoio do programa Rumos Itaú Cultural 2017-2018, dentro do projeto Cinema de Rua, a iniciativa inclui profissionais e militantes das áreas do cinema, artes plásticas, psicanálise, comunicação e história, em um coletivo voltado à inclusão, formação e trabalho conjunto entre diferentes personagens sociais da vida cotidiana na metrópole. No giro das lentes, histórias reais ou fantásticas. Ficções e veracidades da cultura urbana, com seus personagens mais imediatos. Relatos vivos e de faz de conta, enfrentamentos, fantasias e sonhos de uma parcela valiosa da juventude brasileira, em seu trajeto na busca pela inclusão e na luta pela afirmação dos seus direitos.

O evento de inauguração do Espaço Cultural Filme de Rua tem entrada gratuita e contará com a exibição dos quatro filmes já produzidos pelo coletivo: “Filme de Rua” (2016), “Ver o mar” (2018), “Chuá de maloqueiro” (2018) e “Maloca” (2018). Também haverá sessão de debate e comentários com a participação da equipe e dos jovens participantes. A partir do dia 15 de março, o espaço começará a receber sessões de cinema abertas ao público. A proposta é valorizar, nessa programação, a produção cinematográfica não comercial e independente de Belo Horizonte e outras cidades do Brasil e do exterior. O local também reunirá uma produtora, oficinas em audiovisual, grupos de trabalho e discussão na área do cinema, encontros e intercâmbios com iniciativas afins.

O projeto volta-se à criação artística mas também à escuta e acolhida dessa parcela da população, como ponto de fortalecimento da rede sócio assistencial, da promoção da cidadania e construção da autonomia desse público. Um território livre de conversas sobre a cidade e a violência, o racismo, o machismo, a LGBTfobia, a proteção da criança e do adolescente, a Saúde, a Educação e a Cultura.


O Filme de Rua é o filme de todas e de todos. Dos milhões de meninos e meninas que protagonizam, diariamente, o enredo das grandes cidades do Brasil. Na tela e nos bastidores, todo foco é coletivo, toda cena é compartilhada. Filme de rua para mudar quem assiste e também quem filma. Cinema de rua para a rua se mostrar, se transformar e ver a si mesma. Uma câmera na mão, toda a vontade de existir, resistir, documentar e transmitir. Filme das muitas ruas visíveis ou invisíveis. Filme das ruas que já são reais e das outras que ainda vão ser.

 

HISTÓRICO E PRÊMIOS

O projeto Filme de Rua tem suas origens em 2010, com os primeiros encontros entre artistas e militantes com jovens que vivem nas ruas de Belo Horizonte. Em 2015, o coletivo produz o seu primeiro filme, intitulado “Filme de Rua”, lançado em 2016. O curta foi vencedor do 19o Festival Internacional de Curtas-Metragens de Belo Horizonte, selecionado para os festivais VII Cachoeira Doc (Cachoeira-BA), X Festival Janela Internacional do Cinema (Recife – PE) e IV Fronteira – Festival internacional do Filme Documentário e Experimental (Goiânia-GO).

Em 2018, foram lançados os curtas “Ver o mar”, “Chuá de maloqueiro” e “Maloca”, selecionados para o Concurso Audiovisual Posso Falar? (Rio de Janeiro-RJ). A iniciativa também foi premiada com o edital “Cê Fraga”, promovido pela Gabinetona/Câmara Municipal de Belo Horizonte. No mesmo ano, o Filme de Rua foi premiado com o edital do programa Rumos Itaú Cultural, a partir do projeto Cinema de Rua. Também teve outro projeto contemplado com o Fundo Municipal da Lei d Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.


Neste ano de 2019 o coletivo vem produzindo outros três curtas-metragens: "ficção tipo real", "Filme das meninas" (título provisório) e um filme em linguagem experimental. Todos serão lançados, no segundo semestre, no Espaço Cultural.

SOBRE O RUMOS ITAÚ CULTURAL


Um dos maiores editais privados de financiamento de projetos culturais do país, o Programa Rumos, é realizado pelo Itaú Cultural desde 1997, fomentando a produção artística e cultural brasileira. A iniciativa recebeu mais de 64,6 mil inscrições desde a sua primeira edição, vindos de todos os estados do país e do exterior. Destes, foram contempladas mais de 1,4 mil propostas nas cinco regiões brasileiras, que receberam o apoio do instituto para o desenvolvimento dos projetos selecionados nas mais diversas áreas de expressão ou de pesquisa.

Os trabalhos resultantes da seleção de todas as edições foram vistos por mais de 6 milhões de pessoas em todo o país. Além disso, mais de mil emissoras de rádio e televisão parceiras divulgaram os trabalhos selecionados.

Nesta edição de 2017-2018, os 12.616 projetos inscritos foram examinados, em uma primeira fase seletiva, por uma comissão composta por 40 avaliadores contratados pelo instituto entre as mais diversas áreas de atuação e regiões do país. Em seguida, passaram por um profundo processo de avaliação e análise por uma Comissão de Seleção multidisciplinar, formada por 21 profissionais que se inter-relacionam com a cultura brasileira, incluindo gestores da própria instituição. Foram selecionados 109 projetos, contemplando todos os estados brasileiros.

Foto: Bruno Figueiredo

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