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Temporada do Espetáculo "Salomé" solo de Diego Bagagal

No dia 3 de março (sexta-feira), a companhia MADAME TEATRO estreia seu solo "Salomé" com Diego Bagagal, a partir das 19h, no Centro Cultural Banco do Brasil (Belo Horizonte) - Praça da Liberdade, 450, Funcionários. O artista cumpre temporada até 20 de março, de quinta a segunda, às 19h, na Sala II (Multiuso). Ingressos à venda na bilheteria a R$20 (inteira) e R$10 (meia). Telefone para informações: (31) 3431-9400. Gênero: Teatro Contemporâneo. Classificação indicativa: 14 anos. Coprodução: MADAME TEATRO e Colectivo 84, Cocriação de Diego Bagagal, Mickäel de Oliveira, Chico Neves e Direção e dramaturgia: Mickäel de Oliveira e Diego Bagagal.

Este projeto possui o Patrocínio da Fundação Municipal de Cultura, por meio dos benefícios do Fundo Municipal de Incentivo à cultura de Belo Horizonte, coprodução do Colectivo 84 e apoio do Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte.

SINOPSE

Bastaria escutar o nome de "Salomé" para enxergar a bandeja de prata com a cabeça de São João Batista. Oscar Wilde eternizou a mulher fatal da Bíblia, Richard Strauss a musicou. Nesta versão do clássico, Diego Bagagal (MADAME TEATRO) se une a Mickaël de Oliveira e ao icônico produtor musical Chico Neves para evocar erotismo, terror, política e amor.

O PROCESSO

Quando morou em Londres, entre 2007 e 2009, Diego viu surgir em todas as livrarias e bibliotecas da capital britânica, "Salomé" de Oscar Wilde - até então censurada -, e decidiu que deveria montar a peça. Os processos de investigação passaram por três residências artísticas, coincidentemente países pilares da Igreja Católica: uma delas na Polônia, outra na Itália, e a última, em Portugal.

Para a preparação do que viria a ser “Salomé”, o MADAME TEATRO criou “Em Louvor à Vergonha”, que estreou em 2013, em Belo Horizonte. O espetáculo propunha uma investigação cênica/arqueológica da reverberação da prisão de Oscar Wilde por sodomia, na Inglaterra do século XIX até o Brasil dos dias de hoje.

Na Polônia, na cidade de Breslávia, em ocasião do aniversário do Instituto Grotowski, que comemorava os 10 anos da morte de Jerzy Grotowski, foi aberta seleção para inscrição no projeto “To The Light”, uma edição que escolheria dez atores do mundo todo para pesquisarem o tema “em direção à luz”, na floresta de Brzezinca. Diego Bagagal estava entre os selecionados. Cada ator trabalharia uma parte do dia coletivamente, e outra parte, individualmente, com um personagem. Diego era Salomé. "Entre as sessões tínhamos tarefas, os homens cortavam a lenha para a cozinha e aquecimento do espaço, que era muito frio, e as mulheres limpavam a casa. O diretor pediu para que eu não participasse das tarefas e dançasse na floresta durante duas horas", relembra o artista.

Desses improvisos, Diego começava a construir sua "Salomé". A segunda residência artística foi em Matera e Bolonha (Itália), em 2010. O artista ocupou um pequeno estúdio de música desativado. "Lá fiquei 4 dias sozinho, pensando nas vozes que seriam escutadas por Salomé e na musicalidade delas. Como havia um vidro que separava os cantores dos técnicos, lembrei-me do túmulo de vidro de Oscar Wilde, cheio de beijos de batom de visitantes. Beijado por homens e mulheres de diversos credos e orientações sexuais", conta.

Em Portugal, na cidade de Montemor-o-Novo, terceira residência, Diego gestou em cocriação com o artista português Mickaël de Oliveira (Colectivo 84), a última etapa do processo criativo do solo "Salomé". Ao longo da investigação, várias referências surgiram para construir, de forma direta ou indireta, a paisagem dramatúrgica do espetáculo. No texto tecido em parceria com Mickaël, aparecem ecos da versão Wildiana de "Salomé", citações da Bíblia e o conceito de proximidade entre a sensualidade, o erotismo e a morte, argumento do livro "O Erotismo" de Georges Bataille (1897-1962).

A autobiografia também está presente na dramaturgia. Na alquimia entre Wilde e a Bíblia, aparece a história do primeiro beijo de Bagagal que é exposta em cena de forma sagaz. Diego utiliza algo pessoal para costurar temas e amplia a relação ficcional do beijo fatal de Salomé, na cabeça decepada do profeta João Batista, para temas políticos e atuais, como sexualidade e terrorismo, bíblia e misoginia, até o atentado na boate Pulse, em Orlando.

O estudo da gestualidade de Oscar Wilde presentes nas fotografias do século XIX e a iconografia de Salomé, ao longo dos tempos, destacando-se as "Salomés" de Franz Von Stuck (1863-1928), Gustave Moreau (1826-1898), Caravaggio (1571-1610) e Aubrey Beardsley (1872-1898), foi inspiração para o gestual e construção do corpo feminino, e ao mesmo tempo, andrógino, proposto, em cena, para a Salomé de Bagagal.

E por fim, a atmosfera musical do espetáculo criada pelo produtor musical Chico Neves faz menção à versão de Salomé musicada por Richard Strauss (1864-1949), com contornos contemporâneos e referências no pop. "A música aparece em cena como um personagem, criando e alterando estados da paisagem sonora e emocional de cada cena", explica Bagagal.

SOBRE SALOMÉ

Personagem bíblica, a mitológica Salomé, também é representada na obra homônima do escritor inglês Oscar Wilde. A história acontece no palácio de Herodes, em uma noite de festa, com uma lua que muda de aparência, cores e estados, com archotes a iluminar os espaços, com guardas, soldados. Um deles se apaixona e se mata por ela. Havia a aristocracia de então, num mundo médio-oriental, pintado à maneira simbolista. A festa decorre na varanda, no último andar.

Herodes, o rei, sente desejo por Salomé, sua enteada, e ao mesmo tempo por um soldado. Mas foca  sua atenção em Salomé, filha da sua mulher Herodías. Salomé, também ela desejada pelos soldados, ouve a voz de João Baptista, o Iokanaan, o profeta de Jesus Cristo, preso num piso inferior. Ela sente-se seduzida por sua voz, depois por sua boca. Finalmente ela quer dar-lhe um beijo. João Baptista recusa-se e fala-lhe mal da mãe. Entretanto, Herodes pede várias vezes a Salomé para que dance para ele. Ela recusa. Herodes diz à Salomé que daria tudo para vê-la dançar a dança dos sete véus.

Salomé aceita finalmente, e influenciada por sua mãe, pede então o seu prêmio: cabeça de João Baptista. Herodes manda decapitá-lo e entrega a cabeça a Salomé. Salomé, por fim, pega na cabeça de João Baptista e dá-lhe um beijo. Deu-lhe um beijo e ficou-lhe na memória. Foi o seu primeiro beijo e foi dado a uma cabeça morta. O primeiro e o último beijo dele e dela: o beijo fatal.

FICHA TÉCNICA

Concepção e interpretação: Diego Bagagal

Direção e dramaturgia: Mickaël de Oliveira e Diego Bagagal

Trilha sonora original*, produção e direção musical: Chico Neves

Trilha sonora gravada e mixada no Estudio304 por Chico Neves

*com elementos extraídos: do arranjo de Chico Neves para a música de "Gymnocapitu" de Tim Rescala; da música "Salomes Tanz Der Lieben Schleier" de Richard Strauss; e de "Kiss Kiss Kiss" de Yoko Ono.

Cenografia: Martim Dinis

Estilista: Sônia Pinto

Design de luz: Allan Calisto

Vídeo-instalação para antessala e colaboração artística: Sofia Marques Ferreira

Operação de luz, som e cenotécnica: Cristiano Diniz

Suporte de desenho de movimento: Dudude Herrmann

Consultoria histórica e astrológica: Márcia Bonome

Coordenação de produção e colaboração artística: Ludmilla Ramalho

Produção executiva e relações internacionais: Martim Dinis

Coordenação de comunicação e assessoria de imprensa: Beatriz França

Fotografia: Luiza Palhares 

Vídeos de divulgação e teasers: Ciro Thielmann

Registro audiovisual: Tauma

Projeto gráfico: Estúdio Lampejo

Redes sociais: Beatriz França e Letícia Leiva 

Consultoria de planejamento: Beatriz Radicchi

Serviços administrativos: Rosy Costa

Patrocínio: Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte (FMC) 

Apoio: Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB BH e Direção-Geral das Artes / Ministério da Cultura do Governo de Portugal

Apoio à criação em Portugal: O Espaço do Tempo e Polo Cultural Gaivotas | Boavista 

Apoio à criação no Brasil: Atelier Dudude, Casa de Theo, Cia Afeta, Espaço Sônia Pinto, Estudio304 e Goethe-Institut

Coprodução Brasil e Portugal: Madame Teatro e Colectivo 84

Realização: Madame Teatro

MADAME TEATRO

É uma plataforma luso-brasileira, fundada por Martim Dinis e Diego Bagagal, sediada em belo horizonte, de criação artística entre artistas locais e internacionais. desenvolve uma pesquisa de linguagem transdisciplinar que atrita a relação sexo e política no tempo presente. possui um repertório que privilegia a alteridade: “1dior” (2015); “bata-me! (popwitch)” (2013); “em louvor à vergonha” (2013); “pop love” (2010) e “the witch and the frog (pop version)” de 2009. dialoga, desde 2015, com a entidade teatral portuguesa Colectivo 84, co-criando “shakespeare: livros para sobreviver” (2015) e “salomé” (2017). Já circulou com trabalhos e como artistas residentes na alemanha, brasil, chile, escócia, espanha, inglaterra, itália, polônia e portugal.

DIEGO BAGAGAL

Nascido em Belo Horizonte (MG) é ator, diretor, dramaturgo e co-fundador, com Martim Dinis, da plataforma multidisciplinar MADAME TEATRO. Em 2007 realizou uma pós-graduação em ‘Creating Theatre and Performance’ pela London International School of Performing Arts (LISPA), pedagogia Jacques Lecoq, a convite do diretor Thomas Pratkki, que ofereceu uma bolsa integral de 2 anos, retornando ao Brasil no final de 2009 para dirigir a 13ª edição do projeto Oficinão do Galpão Cine Horto.

Trabalhou com diversos grupos mineiros com destaque para o Grupo Galpão, onde foi assistente de direção e preparador de elenco no espetáculo “Eclipse”, direção de Jurij Alschitz; colaborou no “Tio Vânia”, direção de Yara de Novaes; e dirigiu a cena “A Carteira” no espetáculo “De Tempos Somos”, direção geral de Lydia Del Picchia e Simone Ordones.

Como intérprete trabalhou com o Grotowski Institute e o diretor Gregosch Ziolkowsky (Polônia), com Anna Dora Dorno, Cia Instabili Vaganti (Itália) e Jacquie Crago (Inglaterra), preparadora do Royal Shakespeare Company.

Em 2016, a convite do Goethe-Institut,  o MADAME TEATRO realizou uma residência artística de dois meses em Munique e Berlim, na Alemanha.

Em 2017, também a convite do Goethe Institute, participou do workshop de Thomas Ostermeier, diretor artístico do Schaubuhne (Berlim) para jovens diretores.

Autor e diretor dos espetáculos: -“Shakespeare: Livros para Sobreviver” (2015), uma co-produção com a Academia Mineira de Letras (AML), apresentando-se na Festa Literária Internacional de Paraty a convite do British Council e no consagrado  “Festival de Teatro Clásico de Almagro” na Espanha, concorrendo ao prêmio de melhor espetáculo; -“1Dior” (2015) com Marta Neves e Fernando Cardoso; -“Em Louvor à Vergonha” (2013), vencedor do Prêmio Cena Minas e CenaMúsica; -“BATA-ME! (Popwitch)” (2013), vencedor do prêmio Cultura Copa como um dos representantes do teatro contemporâneo nacional e única produção latino-americana convidada para a mostra curatorial do festival “Sydney Gay and Lesbian Mardi Grass” na Austrália; -“POP LOVE” (2010), na 13ª edição do Oficinão do Galpão Cine Horto, projeto que colecionou fortuna crítica e recorde de público e atraiu o canal MTV a dedicar um programa inteiro à pesquisa de Bagagal para um teatro jovem e atual;  -“The Witch and The Frog – Pop Version” (2009), que representa o início de pesquisa de linguagem de Bagagal e estreou no Three Mills Studio em Londres; - e “Lilimão” (2006), primeiro projeto profissional.

 

É palestrante convidado do projeto “Shakespeare Lives”, uma série de conversas sobre Shakespeare nos dias de hoje, realizado pelo British Council e TRANSFORM. Recebeu menções honrosas pelos jornais “Estado de Minas”, “O Tempo” e “Hoje Em Dia”, destacando-se a menção de “ousadia no teatro belo horizontino” pelo jornal “Hoje Em Dia”, e o programa “POP LOVE” que o canal MTV dedicou ao espetáculo de mesmo ano estreado em 2010.

Em 2016, junto com Eduardo Moreira, fez parte da equipe curatorial do Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua, de Belo Horizonte (FIT-BH), edição 2016. Em 2010 foi considerado pela Revista Encontro | Edição Personalidades do Ano como revelação no teatro.

CHICO NEVES

Produtor musical brasileiro que vive em Belo Horizonte. Iniciou sua carreira em 1978, ao sair de Minas Gerais para se tornar estagiário dos estúdios da EMI-ODEON no Rio de Janeiro. Seu primeiro trabalho em produção foi um álbum de Lucinha Turnbull em 1979, que lhe rendeu um cargo de assistente do baixista e produtor Liminha na Warner Music. Ajudou Liminha a criar o estúdio Nas Nuvens, e partiu para uma carreira solo em 1986. Neves criou um estúdio caseiro em seu apartamento no Jardim Botânico. Produziu discos do Rappa (Lado B Lado A), Lenine (O Dia em que Faremos Contato), Skank (Maquinarama, Carrossel), Paralamas do Sucesso (Hey Na Na), Los Hermanos(Bloco do Eu Sozinho), Ludov (Disco Paralelo), Arnaldo Antunes (Um Som, Saiba), Nando Reis (Sim Não), Jam da Silva (Dia Santo), Lucas Santtana (Eletrobemdodo), Lô Borges (Meu Filme), F.ur.t.o., Chelpa Ferro, Jorge Mautner(Bomba de Estrelas), Roberto Guima entre outros, além de trilhas de filmes como Eu, Tu, Eles de Andrucha Waddington, Deus é Brasileiro de Cacá Diegues. Em 2014, fez a mixagem do trabalho da banda SOMBA, de Belo Horizonte.

 

MICKAËL DE OLIVEIRA (PORTUGAL)

Nasceu em 1984, em França e vive em Portugal desde 1999, residindo atualmente em Lisboa. É licenciado e mestre em Estudos Artísticos – Variante Teatro, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, concluiu em 2013 o seu doutoramento na área da dramaturgia contemporânea portuguesa e europeia, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Escreve para teatro desde 2004, tendo co-fundado o Colectivo 84 em 2008 com John Romão, estrutura na qual desenvolve o seu trabalho de escrita e de encenação. Tem colaborado igualmente com outras companhias como a Cão Danado (Porto), Teatro Nova Europa (Porto) e DayforNight (Paris). O seu percurso foi galardoado em 2007 com o Prémio Nova Dramaturgia Maria Matos (Teatro Municipal Maria Matos, Lisboa) com O que é teu entregou aos mortais em 2009, com a Menção Honrosa do Prêmio Luso-Brasileiro António José da Silva (Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa / FUNARTE, Brasil) com o texto “Clitemnestra”. É autor de uma dezena de textos, entre os quais: “Hipólito – monólogo masculino sobre a perplexidade” (2009, enc. John Romão), “70KG” (2009, enc. John Romão), “Monólogos e Materiais” para o espectáculo “Velocidade Máxima” (2009, enc. John Romão), “Só os idiotas querem ser radicais” (2009, enc. John Romão), “Textos para apocalipses” para o espectáculo “Morro como país”, baseado no texto de Dimítris Dimitriádis (2010, enc. John Romão), “A hora é nocturna e o tempo é agora” (2010, enc. Nuno M. Cardoso), “Boris Yeltsin” (2012/2013, enc. Nuno M Cardoso), “Oslo – Fuck Them All and Everything Will Be Wonderful” (co-criação Mickaël de Oliveira e Nuno M Cardoso). Publicou em 2015 Obra Completa Tomo I (Edições Húmus) que junta os seus últimos trabalhos de escrita. Vários dos seus textos estão traduzidos para francês, inglês, castelhano, eslovaco, e lidos em França, Bélgica e Genebra. É director artístico do projecto Encontros de Novas Dramaturgias Contemporâneas que pretende promover a dramaturgia contemporânea portuguesa e internacional, tendo a 1ª Edição decorrido no São Luiz Teatro Municipal (Lisboa) em Novembro de 2010 e a 2ª Edição no Teatro Académico de Gil Vicente (Coimbra), em Março de 2015. Foi professor assistente de Gestão Cultural e de Estudos Artísticos na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria e Professor Convidado na Escola Superior de Teatro e Cinema, sendo actualmente Professor Auxiliar Convidado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi director adjunto de Setembro de 2011 a Agosto de 2015 do Teatro Académico de Gil Vicente (Coimbra).

Foto: Luiza Palhares

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