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Espécie, solo do ator Igor Leal, faz temporada na Campanha de Popularização, de 21 a 24 de fevereiro, na Funarte MG
A Campanha de Popularização Teatro & Dança apresenta de 21 a 24 de fevereiro o espetáculo ESPÉCIE, primeiro solo do ator Igor Leal. A montagem, uma cocriação das plataformas artísticas BEIJO NO SEU PRECONCEITO e O QUE VOCÊ QUEER, faz quatro apresentações, de quinta a domingo, às 20h, na Funarte MG. Os ingressos custam R$15.
Dirigido pela artista Fernanda Branco Polse, ESPÉCIE é um trabalho que parte das diretrizes dos estudos da performance. Cada apresentação do espetáculo é realmente um novo encontro, um novo começo. A montagem é um convite para o compartilhamento de uma presença e experiência que criam fluxos poéticos de agitação sexo-política, pós-identitárias e pós-modernas, nas quais arte e ativismo se interpelam e apontam ao desajuste das amarras de sentido e de seus marcos de previsibilidade, reinventando modos de fazer.
A partir da vivência LGBTIQ+, e com referência e investigação na pós-pornografia, movimento de expressão da sexualidade em que são ampliadas as sensações e possibilidades do corpo e que buscam dinamizar as concepções e vivências de gênero e sexualidade, a dramaturgia de Ana Luisa Santos instaura um rito que evoca uma divindade não nomeada para nos indagar sobre como vemos nossos desejos, o prazer e a alteridade no mundo contemporâneo. A partir de uma perspectiva queer e pós-pornô, ESPÉCIE busca desnaturalizar as identidades sexuais e de gênero.
A construção dramatúrgica reflete as práticas artísticas neoliberais, o esforço contemporâneo de combate ao fundamentalismo religioso e que reivindica o exercício democrático da construção política, indagando-nos sobre os lugares específicos e formatos de criação. O trabalho propõe uma cena expandida que borra fronteiras entre teatro e performance. Em cena, Igor Leal experimenta novos formatos de relações e de encontros entre artistas e espectadores.
Nas aproximações entre arte e ativismo, o trabalho dialoga com a obra Manifesto Contrassexual, de Paul Preciado, que aponta o sexo como estratégia política. As leituras do filósofo espanhol serviram como importante referência para o processo de criação, ampliando as possibilidades de abordagem das sexualidades no teatro contemporâneo.
A equipe de criação conta com outros colaboradores e pesquisadores no campo de corpos dissidentes, dramaturgia de performance, linguagens híbridas e ritual. A montagem tem codireção e preparação corporal de Benjamin Abras; trilha sonora original do músico Barulhista, e desenho de luz de Jésus Lataliza. Além disso, ESPÉCIE compartilhou seu processo criativo com o público, em apresentação no PERFURA - ateliê de performance, no Sesc Palladium, e foi apresentada em sua temporada de estreia na FUNARTE MG e Teatro Espanca (em 2017); e no Festival de Curitiba e FIT-BH (em 2018).
A pesquisa cênica (des)construiu uma materialidade corporal subversiva ao trabalhar com partes do corpo não-hegemônicas, compondo um corpo vivo que escapa e engana os modelos subjetivos do neoliberalismo. Esse corpo instaura uma relação de intimidade com os espectadores, em que plateia/cena, dentro/fora, corpo/mundo se confundem e juntos vão construindo uma subjetividade transgressora, numa zona sexo-poética que inscreve os espaços e tempos do sexo nas territorialidades da cena teatral, intervindo diretamente sobre as visualidades que contam como sexualmente visível, ou sexualmente possíveis.
SOBRE IGOR LEAL
A trajetória artística de Igor Leal se aproximou da atividade política em 2008, durante o curso de Graduação em Psicologia da UFMG, quando co-fundou o GUDDS! (Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual). Na época, Igor também era estudante do curso técnico de teatro do CEFAR (Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado).
Desde então, o artista se dedica ao exercício de práticas artísticas aliadas a movimentos sociais, atuando na mobilização pelo respeito à diversidade de gênero e sexualidade. Em 2016, tornou-se membro da Frente Autônoma LGBT, organização que reúne ativistas e movimentos LGBT de Belo Horizonte e arredores.
ESPÉCIE foi motivado pela vivência do artista Igor Leal com o workshop Práticas Performativas em torno dos corpos dissidentes, organizado pela Bienal de Performance de Buenos Aires pela Post-op (Espanha), em 2015, e ganhou forma após um diálogo entre as plataformas BEIJO NO SEU PRECONCEITO e O QUE VOCÊ QUEER - coletivo de Ana Luisa Santos e Fernanda Branco Polse, que assinam a dramaturgia, figurino e direção da peça.
A colaboração entre as plataformas iniciou-se em 2015 no AFAZERES QUEERS (Teatro Espanca!) e vem se estabelecendo através de projetos como a TRANS RESIDÊNCIA EXPERIMENTO QUEER, que aconteceu no Galpão Cine Horto durante a 16ª edição do Festival de Cenas Curtas, em parceria com a plataforma This is noT, de Guilherme Morais. A colaboração entre os coletivos também organizou uma ocupação queer na praça Afonso Arinos na região central de BH : a QUEERMESSE, arraial queer na Virada Cultural de BH 2016.
SOBRE FERNANDA BRANCO POLSE
Fernanda Branco Polse é natural de Londrina e morou por dez anos em Belo Horizonte, onde se formou em Jornalismo pela PUC-MG E em Artes Plásticas pela Escola Guignard (UEMG). É pós-graduada em Movimento E Ação: A Arte Da Performance pela FAV - Faculdade Angel Vianna (RJ). Em sua investigação artística a artista se interessa pelos discursos da sexualidade, gênero e humor. Seus trabalhos podem ter diversos formatos e mídias, dentre elas vídeo, fotografia, performance, texto e música. Integra a dupla de performance Rocha & Polse, com quem já apresentou em exposições em diversas cidades, como São Paulo, Bogotá, Los Angeles, Montreal E Amsterdã. É também proprietária da Coelha Produtora e das Edições O Que Você Queer, com a artista Ana Luisa Santos. Atualmente vive e trabalha em São Paulo.
SOBRE ANA LUISA SANTOS
Ana Luisa Santos é performer e escritora. Mestre em Comunicação Social/UFMG e Pós- Graduada em Arte da Performance/FAV, atua também como curadora em artes da presença na realização de exposições e residências artísticas, núcleos de pesquisa e criação, atividades de formação e política. Desenvolve trabalhos para teatro e dança, com destaque para dramaturgia e figurino. É idealizadora do PERFURA \ ATELIÊ DE PERFORMANCE e co-diretora da plataforma O QUE VOCÊ QUEER, parceira do BEIJO NO SEU PRECONCEITO, tendo correalizado a Queermesse e o espetáculo solo “Espécie”. Artista indicada ao Prêmio PIPA 2017.
BEIJO
A plataforma artística BEIJO possui, como linha de pesquisa, a criação de trabalhos artísticos que friccionam dimensões estéticas, éticas e políticas na sua linguagem. O BEIJO surgiu em 2014, quando Igor Leal e Will Soares realizaram uma intervenção de mobilização pelo respeito à diversidade de gênero durante o carnaval de Belo Horizonte, pregando lambes pelas ruas da cidade.
Em setembro do mesmo ano, o coletivo estreou a cena curta “Não Conte Comigo Para Proliferar Mentiras”, dirigida por Alexandre de Sena, e selecionada pela crítica para compor a temporada das mais votadas do Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto. No ano seguinte, o BEIJO criou a “Marcha da Diversidade”, bloco carnavalesco que desfila com intuito de sensibilizar foliãs e foliões no combate à homofobia, à transfobia e à violência sexual e de gênero.
Ainda em 2015, foi organizada a primeira edição da mostra “Afazeres Queers: Arte Viada no Centro”, que aconteceu no Teatro Espanca! durante o mês de março. O evento reuniu ativistas e artistas para uma experiência de imersão acerca das estratégias queers e suas possíveis contribuições às artes. A programação trouxe apresentações de espetáculos, filmes, exposições, oficinas e ciclos de debates.
O BEIJO participou também de duas edições da Virada Cultural de Belo Horizonte. Em 2015, o coletivo fez um giro pela cidade com a “Queer Queen Kombi”, um desfile de práticas performativas que buscam desconstruir as ideias hegemônicas de gênero, sexo e beleza. Já no ano de 2016, aconteceu a “Queermesse”, uma releitura lesbitransqueer da tradicional festa religiosa. A ação foi idealizada junto à plataforma O QUE VOCÊ QUEER.
Nesses 3 anos de existência, o BEIJO também participou de seminários, festivais e eventos dedicados à temática queer e às artes da cena em Minas Gerais e por todo o país. Dentre eles, FETO - Festival Estudantil de Teatro (2015); 7º Festival Breves Cenas de Teatro, em Manaus (2015); Seminárix de Estéticx Queer da Escola Guinard (2016); Forumdoc.bh - Festival do Filme Documentário e Etnográfico (2016); e Mostra Hífen de Pesquisa-Cena, no Rio de Janeiro (2016).
O QUE VOCÊ QUEER
O QUE VOCÊ QUEER é uma plataforma desenvolvida pelas artistas Ana Luisa Santos e Fernanda Branco Polse que começou em 2015, a partir do compartilhamento de suas experiências artísticas como performers queers, num jogo urgente e ambivalente com o mundo e suas constantes tentativas de criar território para o que foge, para o que vaza, para o que não é. A proposta é a criação de performances, zines, livros, dramaturgias, manifestos e residências com a referência de atuação performática, cotidiana e política de criação de um corpo queer.
SINOPSE
“Desejo para você - para nós - fúria criativa para continuarmos a devorar o mundo. E que o resto seja amor”. ESPÉCIE é um trabalho híbrido que caminha pelo teatro, performance e instalação. Uma experiência que usa das sexualidades como via de expressão artística, ampliando noções de vida e prazer para transcender categorias sociais de sexo e amor.
Foto: Raquel Carneiro
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