Notícias

Curta Circuito dá início a programação 2018 exibindo o longa Ato de Violência, com comentários do diretor Eduardo Escorel e do ator Nuno Leal Maia

Com o tema “A violência no cinema brasileiro”, a Mostra de Cinema Permanente coloca o dedo na ferida e apresenta filmes que desafiam a lógica do bom mocismo nacional

Sangue, assassinato, selvageria. A 17ª edição do Curta Circuito - Mostra de Cinema Permanente  apresenta, de março a junho, oito longas nacionais que têm histórias de violência como fio condutor principal. “Como não abordar, ‘exibir’ um tema que é tão atemporal? A opressão, o medo e a intimidação caminham lado a lado por séculos na nossa história. Partindo do tema, apresentaremos a nossa inquietação e impassividade diante dessas questões”, explica Daniela Fernandes, diretora da Mostra. Estreando a sanguinária programação está o filme Ato de Violência (1980) - que retrata a história verídica do serial killer Chico Picadinho -  dirigido por Eduardo Escorel, um dos grandes nomes no cinema brasileiro. A sessão acontece na segunda-feira, dia 5 de março, às 20h, no Cine Humberto Mauro, seguida de bate-papo com o  diretor e com o ator principal do filme, Nuno Leal Maia. A entrada é franca, com distribuição de ingressos na bilheteria do cinema 30 minutos antes da exibição.

Na programação, dentro da temática A violência no cinema brasileiro foram escolhidos trabalhos menos conhecidos do grande público e com elementos raros e inusitados. Andrea Ormond, curadora da mostra, afirma que cada um dos filmes selecionados tem a missão de falar da violência sem engrandecê-la de modo vazio. Ato de Violência, por exemplo, vai muito além do drama policial: é uma obra-prima que toca também nos âmbitos social e existencial da questão. “Vemos no filme, como pano de fundo, a análise sobre até que ponto o desejo de constituir família é uma tara imposta pela sociedade”, completa. O longa foi baseado no caso do assassino em série brasileiro que esquartejou 2 mulheres, em 1966 e 1976, e que tomou conta das páginas de jornais e revistas da época. Hoje, beirando os 80 anos de idade, ele segue cumprindo pena em um hospital psiquiátrico no interior paulista.  

Para preparar o longa, Eduardo Escorel passou três anos estudando o caso de Chico Picadinho, lendo artigos de jornal e documentos do processo, principalmente o dossiê médico-judiciário que tentava elucidar a personalidade complexa do criminoso. O repórter Percival de Souza, que cobriu os crimes na época e fez uma entrevista exclusiva com o assassino, também colaborou no roteiro, que é assinado por Escorel em parceria de Roberto Machado.

O filme foi premiado em cinco categorias no Festival de Brasília, incluindo melhor direção e roteiro.

 

Ato de Violência l Eduardo Escorel, RJ, 1980, 115'
Em liberdade condicional, após ter cumprido um terço da pena a que fora condenado, Antonio volta a cometer um crime quase idêntico ao primeiro: em um pequeno apartamento, no centro de São Paulo, estrangula e esquarteja uma mulher. Preso em Caxias, após quinze dias de fuga, Antonio admite ter cometido o crime, assim como fizera da primeira vez, mas não dá nenhum motivo para seu ato.

 

*Bate-papo após a sessão com o diretor Eduardo Escorel e com o ator Nuno Leal Maia

 

Eduardo Escorel

Cineasta e montador, começou a trabalhar no meio cinematográfico aos 20 anos, como assistente de direção de Joaquim Pedro de Andrade em O padre e a moça (1965). No ano seguinte, dirigiu com Júlio Bressane o documentário Bethânia bem de perto. Como montador, atuou em diversos filmes de diferentes diretores e estilos, desde Joaquim Pedro de Andrade, Glauber Rocha e Leo Hirszman e Eduardo Coutinho e José Joffily. Em 1969, dirigiu o documentário de curta-metragem Visão de Juazeiro, e em 1976, fez seu primeiro longa, Lição de amor. Ato de Violência é o seu segundo longa como diretor. Na década de 90, dedicou-se à realização de documentários, com destaque para os filmes de uma trilogia histórica: 1930 - Tempo de revolução (1990), 32 - A guerra civil (1993) e 35 - O assalto ao poder (2002).
 

Nuno Leal Maia

O ator paulista de 70 anos, que já foi técnico de futebol, começou a carreira artística atuando em Pornochanchadas nas décadas de 1970 e 1980. Em 40 anos de carreira, participou de quase 30 filmes, como Anjo Loiro (exibido no ano passado no Curta Circuito), O Beijo da Mulher Aranha e Gabriela, Cravo e Canela. Nos anos 90 ele se dedicou à TV e fez sucesso com o público, mesmo negando o rótulo de galã. Seus principais papéis foram nas novelas  A Gata Comeu, Top Model, Mandala, Vamp e História de Amor.

 

Curta Circuito
Durante sua trajetória, iniciada em 2001, a Mostra de Cinema Permanente, que exibe exclusivamente filmes nacionais, sempre com entrada franca, reuniu um público de mais de 74 mil pessoas, que estiveram presentes nas quase cinco mil sessões apresentadas. A mostra é dirigida por Daniela Fernandes, da Le Petit Comunicação Visual e Editorial, com curadoria assinada pela crítica de cinema e autora do blog Estranho Encontro, Andrea Ormond. É referência em Minas e no Brasil como ação de formação qualificada de público, espaço de reflexão e debates sobre a cultura audiovisual e todos os aspectos que a envolvem, sejam técnicos, narrativos, estéticos, culturais e políticos. O Curta Circuito já atuou em 18 cidades dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Pará e atualmente está presente em Belo Horizonte - onde tem como “sede” de suas exibições o Cine Humberto Mauro - e nos município mineiros de Montes Claros e Araçuaí. Já passaram pelo projeto convidados como Nelson Pereira dos Santos, Zé do Caixão, Sidney Magal, Othon Bastos, Antônio Pitanga, Nelson Xavier, Darlene Glória entre outros. O Curta Circuito atua também na preservação e memória do cinema brasileiro, trabalhando na restauração de filmes, em parceria com a Cinemateca do MAM-RJ. A iniciativa recebeu Mention do D'Hounner em Milão, em 2013, pela restauração do filme “Tostão, a fera de Ouro”, da década de 1970.  

Foto: Divulgação

Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.