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Cia. de Dança Palácio das Artes apresenta NUVENS DE BARRO na 44ª Campanha de Popularização Teatro & Dança
No espetáculo, inspirado no universo poético de MANOEL DE BARROS, coisas se humanizam e pessoas se coisificam
A Cia de Dança Palácio das Artes apresenta o espetáculo Nuvens de Barro na 44ª Campanha de Popularização Teatro & Dança. A montagem, inspirada no universo poético de Manuel de Barros, reflete nos bailarinos as palavras do próprio autor: “Eu escrevo com o corpo. Poesia não é para compreender, mas para incorporar”. Nesse trabalho, a Cia mergulha no universo lírico e brejeiro do Poeta do Pantanal para descobrir, criar e transformar a delicadeza, a simplicidade e o realismo fantástico, elementos fortes nos versos de um dos maiores representantes do período pós-moderno da literatura brasileira.
A temporada na 44ª Campanha de Popularização Teatro e Dança traz uma novidade: ao contrário das apresentações anteriores, Nuvens de Barro reunirá, simultaneamente, no palco do Grande Teatro do Palácio das Artes, os dois elencos que se revezavam em apresentações anteriores do espetáculo.
Com direção coreográfica de Fernando Martins e direção cênica de Joaquim Elias, Nuvens de Barro é uma coreografia criada de maneira colaborativa entre os bailarinos da Cia de Dança, em um processo que envolveu pesquisas cênicas, corporais e poéticas em 2016. Durante dois meses o coletivo se debruçou sobre a obra de Barros até encontrar um ponto que unisse a dança e a poesia e indicasse o caminho para a montagem do trabalho.
Os movimentos dos bailarinos refletem o imaginário do poeta, fonte de metáforas em que coisas se humanizam e pessoas se coisificam. Desse processo, surge uma coreografia inventiva e inventada, em que os bailarinos da Cia. permitem ser permeados por um universo lírico e ocupam outros corpos, criando algo híbrido, mutável. Ora transformam-se em peixes dançarinos, ora em pedras que se tornam pássaros; que se tornam homens. Elementos cênicos como maçãs e plantas ganham vida e se transformam em novos objetos – ou corpos –, que também interagem com os bailarinos.
A obra de Manoel de Barros se destaca também pelas metáforas. O nome da coreografia foi escolhido como uma alusão à essa característica, unindo dois elementos que já possuem um significado explícito e criar um terceiro, quase irreal ou inimaginável. A nuvem transmite a leveza, o lado delicado do trabalho. Já o barro é a parte mais pesada, mais palpável. “Quando estávamos pensando no nome da coreografia, esses dois elementos surgiram de uma forma muito nítida para nós. Então, decidimos uni-los, criando as ‘nuvens de barro’, um diálogo interessante com o realismo fantástico do Manoel”, explica Cristiano Reis.
Cristiano Reis, regente da Cia de Dança, explica que o espetáculo tem um direcionamento mais leve, que evoca a delicadeza dos textos de Manoel de Barros. “Manoel de Barros evoca muito a infância em alguns de seus poemas. O que nós queremos com essa montagem é poder, além de transmitir a delicadeza dos versos por meio da dança, criar uma relação afetiva no público, já que o universo dessa montagem pode ser compreendido e imaginado por qualquer pessoa, tendo ela vivido ou não uma cena ou situação identificada durante o espetáculo”, destaca.
Para esta apresentação na 44ª Campanha de Popularização Teatro e Dança, contará com os dois elencos de Nuvens de Barro. Quando a montagem foi criada, os bailarinos da Cia. se revezavam no palco entre uma apresentação e outra. De acordo com Cristiano Reis, a presença dos dois elencos no palco do Grande Teatro do Palácio das Artes é um atrativo a mais para que o público confira o espetáculo. “Os dois elencos reunidos se desdobram e se completam nessa coreografia. O público poderá conferir um trabalho muito bonito e repleto de detalhes, que tornam Nuvens de Barro uma coreografia tão singular”.
SINOPSE:
NUVENS DE BARRO se inspira no universo poético de Manoel de Barros para recriá-lo nos corpos em movimento. Tomando como pretexto suas palavras "poesia não é para compreender, mas para incorporar", foram dadas formas a um mundo em que realidade e imaginação se misturam. Penteamos os corpos até não serem mais corpos, até ficarem à disposição de serem um pássaro, uma borboleta, uma pedra. Como andarilhos errantes buscamos um quintal perfumado que mora na cabeça, onde o humano se coisifica e as coisas se humanizam... a ludicidade, o humor, e a sensibilidade do poeta são evocadas, pedindo permissão para “voar fora da asa”.
Cia de Dança Palácio das Artes – Corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado, é reconhecida como uma das mais importantes companhias do Brasil e é uma das referências na história da dança em Minas Gerais. Foi o primeiro grupo a ser institucionalizado, durante o governo de Israel Pinheiro, em 1971, com a incorporação dos integrantes do Ballet de Minas Gerais e da Escola de Dança, ambos dirigidos por Carlos Leite – que profissionalizou e projetou a Companhia nacionalmente. O Grupo desenvolve hoje um repertório próprio de dança contemporânea e se integra aos outros corpos artísticos da Fundação – Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral Lírico de Minas Gerais – em produções operísticas e espetáculos cênico-musicais realizados pela Instituição ou em parceria com artistas brasileiros. A Companhia tem a pesquisa, a investigação, a diversidade de intérpretes, a cocriação dos bailarinos e a transdisciplinaridade como pilares de sua produção artística. Seus espetáculos estimulam o pensamento crítico e reflexivo em torno das questões contemporâneas, caracterizando-se pelo diálogo entre a tradição e a inovação.
Cristiano Reis – Atual regente da Cia de Dança Palácio das Artes (CDPA), Cristiano Reis é natural de Uberlândia/MG. É mestre e licenciado em Artes Cênicas pela Escola de Belas Artes da UFMG e gestor cultural pela Fundação Clóvis Salgado. Atua como coreógrafo, professor e preparador corporal de atores. Como bailarino da Cia de Dança Palácio das Artes recebeu os prêmios de Melhor bailarino, SESC/SATED-MG e SINPARC USIMINAS pelas coreografias Quimeras e Carne Agonizante, em 2008, e também prêmio de Revelação em Artes Cênicas SESC/SATED-MG pelo espetáculo Coreografia de Corde”, em 2005. Como coreógrafo, recebeu prêmios em festivais e concursos como o Festival de Joinville, Passo de Arte, FestSesi/Araxá, Dança Ribeirão, Festdança/São José dos Campos, São Leopoldo em Dança, entre outros. Destacam-se os prêmios de Melhor Coreógrafo do CBDD de Uberaba e Prêmio estímulo do Festival de Dança do Triângulo de Uberlândia, ambos em 2010. Em 2015, assumiu a direção artística da Cia de Dança Palácio das Artes.
Joaquim Elias – Natural de Pimenta-MG. As Artes Cênicas e a Psicologia são suas áreas de atuação e pesquisa. Nas artes cênicas desde 1987, já atuou como bailarino, ator, diretor, preparador corporal e professor. Estudou com Philippe Gaulier (Paris 2002-2003), entre outros temas: Bufão, Clown, Tragédia Grega, Máscaras, Criação de Personagens e Direção. Psicólogo clínico com especialização em Gestalt-terapia pelo Instituto Gestalt de Vanguarda Cláudio Naranjo (MG) e em Biopsicologia pelo Instituto Visão Futuro (SP). Seus últimos trabalhos de direção foram: FRAGMENTOS D´UBU (com os participantes da oficina "No encalço dos bufões" - 2015), “Memórias em Tempos Líquidos” (com Eliseu Custódio e Jimena Castiglioni – 2013), “[gaveta]”, com Camila Morena da Luz, em 2013 e “Quintal” (Ciacasca – 2011).
Fernando Martins – Natural de Uberaba/MG, tem 28 anos dedicados à dança. Em sua trajetória estabeleceu importantes caminhos dentro de seu amadurecimento profissional e importantes parcerias artísticas como co-fundador da Randon Collison na Holanda, projeto que se dedica a subsidiar jovens coreógrafos em suas pesquisas e produções artísticas. Hoje se dedica ao aprofundamento de sua pesquisa de linguagem intitulada Brain Diving e a produção musical na área da dança contemporânea na criação de trilhas sonoras personalizadas. Integrou o Balé da Cidade de São Paulo, Galili Dance Company, Random Collison, Quasar Cia. de Dança, J.Gar.Cia Dança Contemporânea, e residências artísticas e: Escuela Profesional de Danza Contemporánea de Mazatlán | México (EPDCM), Escola de Dança São Paulo e Illinois University- USA. Coreografou trabalhos para o Balé da Cidade de São Paulo, Galili Dance, Random Collison, Ribeirão Preto Cia de Dança, Grupo Êxtase de Dança/ Viçosa/MG entre outros.
Manoel de Barros – Manoel Wenceslau Leite de Barros foi um advogado, fazendeiro e poeta brasileiro. Nasceu em Cuiabá (MT) em 19 de dezembro de 1916. Passou a infância tendo uma profunda relação com a natureza ao seu redor, fosse sentindo a textura da terra com os pés; fosse correndo e brincando entre árvores e galhas, que futuramente, inspirariam e definiriam sua obra. Após passar a fase da educação básica em Campo Grande (MS), muda-se para a cidade do Rio de Janeiro. Apesar de se dedicar aos estudos, a mente inquieta do menino não para. Foi só quando conheceu os livros de Padre Antônio Vieira que passou a entender a literatura não como uma responsabilidade verídica, mas sim como uma arte em que a verossimilhança pode imperar. Escreveu seu primeiro poema aos 19 anos e, a partir daí, cria um estilo próprio. Expoente da geração de 45, Manoel de Barros criou um universo próprio, com construções literárias que não respeitavam as normas da língua padrão. Neologismos e sinestesias sempre estiveram presentes em seus poemas, características comumente comparadas a Guimarães Rosa. Viveu por alguns anos na Bolívia e no Peru. Em seguida, mudou-se para Nova York (EUA), onde morou por um ano. Na Capital do Mundo, estudou cinema e pintura. Quando retorna ao Brasil, conhece Stella, sua futura esposa, com quem teve três filhos: Pedro, João e Marta. Dentre os inúmeros prêmios literários que recebeu ao longo da vida, destacam-se o Prêmio Orlando Dantas (1960), Prêmio Nacional de poesias (1966). Prêmio Jabuti de Literatura (1989), Prêmio Alfonso Guimarães da Biblioteca Nacional (1996) Prêmio Academia Brasileira de Letras (2000) e Prêmio APCA 2004 de melhor poesia (2005). Faleceu no dia 13 de novembro de 2014, aos 97 anos de idade.
Foto: Beto Satin
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