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Nova temporada de "Orlando – Um Prólogo", solo de Ludmilla Ramalho, no CCBB-BH

Inspirado no romance “Orlando – uma Biografia”, de Virginia Woolf, o espetáculo, que teve sua estreia internacional, em abril de 2018, em Portugal

Depois de turnê pelo Festival Internacional de Teatro do Alentejo (Portugal) e realizar temporada de estreia no Brasil no SESC Palladium no início de 2018, “Orlando – Um Prólogo”, solo da atriz, diretora e performer Ludmilla Ramalho, retorna em temporada na Campanha de Popularização de Belo Horizonte, no CCBB-BH.

O espetáculo, que integra a programação da 45ª Campanha de Popularização do Teatro de Belo Horizonte, cumpre temporada de 16 a 21 de janeiro de 2019, de quarta a segunda, às 19h, no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil BH (Praça da Liberdade, nº 450, Funcionários). Os ingressos já estão à venda nos Postos SINPARC e pelo LINK bit.ly/orlandonacampanha por R$15,00 (preço único). Classificação indicativa: 16 anos. Gênero: Teatro Contemporâneo. Duração: 45 minutos.

Os ingressos também serão vendidos na bilheteria do teatro, uma hora antes do espetáculo, a R$30 (inteira) e R$15 (meia).

A artista Ludmilla Ramalho (BH/MG) e a Madame Teatro (Brasil/Portugal) apresentam o espetáculo “ORLANDO – UM PRÓLOGO” estreado em março de 2018, em Portugal, dentro da Programação do FITA – Festival Internacional de Teatro do Alentejo (Lisboa, Elvas, Santiago e Castro Verde). Em abril de 2018 o trabalho foi convidado para integrar o projeto “Criações de Bolso” do SESC Palladium, realizando temporada de 2 semanas na capital mineira.

Neste espetáculo solo, mergulhamos no romance “Orlando: uma biografia” (1928), obra de Virginia Woolf (1882-1941), influente escritora inglesa do século 20, com grandes contribuições para o movimento feminista ocidental.

A dramaturgia e a encenação do solo exploram o chamado “fluxo da consciência” ("stream of consciousness") muito usado por Virgínia Woolf, técnica narrativa que apresenta a consciência do personagem de modo ideal, sem interferência do autor/narrador. Esse fluxo de consciência usado na literatura é experimentado como metalinguagem na escrita cênica da atriz, que se alterna em diversas vozes narrativas. Ora através da voz da autora e biógrafa Virginia Woolf, ora pela voz da personagem Orlando ou, ainda, as vozes da própria atriz que se apresenta em crise de linguagens.

Ideias que ecoam em cena por meio de um jogo direto com o espectador – chamado de peça-palestra, em que explora temas como violência e questões de gênero, liberdade, solidão, amor e morte.

Na direção de arte (cenário) é explorada uma imagem da maior onda do mundo, que é projetada durante todo o espetáculo, sendo revelada aos poucos para o espectador, se transfromando em uma paisagem poética.

SOBRE O ROMANCE “ORLANDO – UMA BIOGRAFIA” DE VIRGINIA WOOLF

“Orlando: uma biografia” é uma obra de Virginia Woolf (1882-1941), influente escritora inglesa do século 20, com grandes contribuições para o movimento feminista ocidental. Publicado em 1928, o romance é dedicado à Vita Sackville-West, por quem Virginia Woolf foi apaixonada e com quem desenvolveu uma grande amizade e cumplicidade.

A história de Orlando se passa no século XVI e narra a trajetória de um jovem inglês que, embora nunca tenha duvidado de seu sexo masculino, um dia acorda mulher. No romance de Woolf, a comunidade da qual Orlando se diz orgulhoso de pertencer, em um primeiro momento, é um grupo de grandes homens responsáveis por feitos heroicos. O sentimento de orgulho de fazer parte desse grupo leva Orlando a querer também colaborar com seu povo. Porém, Orlando gostaria de fazer isso através da escrita, e não da espada, como de costume.

Sendo um homem inserido na sociedade elisabetana do século XVII, Orlando pôde utilizar-se da literatura. E esse fato realça, mais uma vez, a masculinização da ação, pois, tanto o livre acesso à literatura quanto a sua produção eram, nessa época, exclusividade dos homens. Ao longo da narrativa fictícia, o personagem Orlando transforma-se anatomicamente em uma mulher e passa a viver na companhia de ciganos. Orlando, o livro, portanto, procura refletir sobre o papel do corpo feminino na sociedade ocidental, a qual é falocêntrica e marcadamente mediada por uma rede de relações de poder patriarcal. Suas características físicas o apresentam como um personagem fortemente delineado pela androginia. A personagem “Orlando” antecipa muitas questões contemporâneas sobre a identidade, identidade de gênero e as relações entre gênero e sexualidade bastante discutidas hoje por diversos sociólogos contemporâneos.

O PROCESSO

Há quatro anos Ludmilla Ramalho foi apresentada a “Orlando – uma biografia” pela pesquisadora Mariana Lage, e se apaixonou pelo romance. Desde então, a artista vem aprofundando seus estudos na obra de Woolf, experimentando imagens/performances que ativam o universo da escritora. Em 2016, Ludmilla se encontra com o diretor Diego Bagagal.

Na obra de Virginia, Orlando deita-se homem e acorda mulher. “Quando a Lud me convidou no ano passado, imediatamente lhe fiz a seguinte pergunta: Quando foi que você acordou homem?”, explica Bagagal. A partir da resposta de Ludmilla, desencadearam o processo de criação explorando os questionamentos da artista sobre o que é ser homem e o que é ser mulher hoje.

De lá para cá, foram diversos mergulhos artísticos. O primeiro experimento de 30 minutos, nomeado de “Ensaio Orlando – um prólogo” foi apresentado em agosto de 2017, no Teatro 171, em Belo Horizonte, dentro da programação da “Mostra Afeta Entre Fronteiras” - evento realizado em parceria com o Galpão Cine Horto e produzido e idealizado pela CIA AFETA. O segundo mergulho criativo aconteceu de janeiro a março de 2018, período em que Ludmilla e Diego participaram de uma residência artística em Portugal, durante o FITA (Festival Internacional de Teatro do Alentejo), afim de aprofundarem a pesquisa com outros artistas de Portugal, Espanha, Uruguai e Argentina. Foram dois meses intensos com foco no fluxo de consciência, presente na obra de Virginia Woolf.

Foto: Divulgação

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