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Grupo Quatroloscinco e seu Teatro do Comum completam 15 anos com Mostra em Belo Horizonte
Em formato presencial, as ações acontecem no Galpão Cine Horto e no canal do Youtube do grupo, nos meses de março, abril e maio de 2023
O Grupo Quatroloscinco – Teatro do Comum (BH/MG) – premiada companhia do teatro mineiro, reconhecida por seu trabalho coletivo e autoral, realiza a “Mostra Quatroloscinco 15 anos: Espetáculos, Oficinas e Encontros”, que vai de março a maio de 2023. A programação comemorativa começa no dia 2.03, quinta-feira, com apresentação de um dos mais conhecidos trabalhos do coletivo, o espetáculo “Fauna”. O público vai poder rever também outros sucessos da trupe como “Ignorância”, “Get Out!” e “Tragédia”. Todas as peças ficam em cartaz, no mês de março, de quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h, no Galpão Cine Horto. Às quintas, as sessões possuem intérprete de libras. Ingressos a R$20 (inteira) e R$10 (meia) pelo Sympla (link) ou na bilheteria do teatro, duas horas antes do início de cada apresentação.
Além das peças, a mostra oferece, gratuitamente, ao longo de três meses, quatro bate-papos, duas oficinas de atuação e dramaturgia, e ainda, leituras dramáticas de trabalhos que não estão mais no repertório: “É só uma formalidade”, “Outro Lado” e “Humor”. A programação finaliza em maio com estreia de minidocumentário - que reconta a trajetória da companhia e seu Teatro do Comum – seguida de festa de encerramento, ambas com entrada franca, no Galpão Cine Horto. Este projeto tem patrocínio da Cemig, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.
“Somos um grupo mais maduro, mais certo do que queremos e mais consciente do que construímos. Fazemos escolhas com mais propriedade e aprendemos a lidar com as diferenças de cada integrante, fazendo delas a potência do coletivo”, afirma Marcos Coletta, ator e um dos fundadores do Quatroloscinco.
Formado em 2007, pelos artistas Assis Benevenuto, Ítalo Laureano, Maria Mourão e Rejane Faria, o Grupo Quatroloscinco surge como coletivo de pesquisa dos alunos da graduação em Teatro da UFMG. Com estudos e prática teatral baseada na criação coletiva e autoral, o grupo busca, desde sempre, uma cena centrada no jogo entre os atores, na relação com o texto e no encontro com o espectador. “O Teatro do Comum simboliza nossa busca por uma cena que seja acessível a todos, comum no sentido comunitário, convivial, na relação direta e aberta com o espectador e com diferentes camadas de fruição. Minha avó do interior e um doutor em teatro da UFMG devem conseguir acessar as peças, cada um com sua bagagem”, explica.
Depois de 15 anos de estrada, prêmios, mais de 70 cidades percorridas e uma pandemia pela frente, agora chega a hora do grupo dividir novamente, com o público belo-horizontino, uma programação robusta, em formatos diversos. “Desde 2022 voltamos aos palcos e, aos poucos, estamos retomando nossa agenda, que sempre foi muito movimentada”, comenta. Entre as atrações presenciais, está a minitemporada dos espetáculos, em repertório, no Teatro do Galpão Cine Horto. “Fauna” (2016) pode ser vista de 2 a 5 de março. Inspirada na obra do filósofo Vladimir Safatle, a peça discute temas como violência, desejo, liberdade, confissão e desamparo. Em cena, os atores rompem com a narrativa tradicional e os limites físicos entre palco e plateia. De 9 a 12 de março é a vez de “Ignorância” (2015). Com seis indicações ao prêmio Copasa/Sinparc e vencedora na categoria Melhor Atriz para Rejane Faria, a peça trata de temas atuais que refletem sobre a dificuldade de se conviver em uma sociedade cada vez mais polarizada.
Em “Get Out!” (2013), em cartaz de 16 a 19 de março, um homem não consegue embarcar em seu voo por causa do medo do avião cair, e para provar que esse medo tem fundamento, encena diversas situações e histórias em um jogo íntimo com o espectador. Solo e dramaturgia de Assis Benevenuto, a peça esteve em diversos estados do Brasil, Cuba, Argentina e Uruguai, e concorreu aos prêmios Sinparc 2014 de Melhor Ator e Melhor Texto Inédito. E, por fim, “Tragédia” (2019) encerra a mostra de espetáculos, de 23 a 26 março. Baseada em Antígona de Sófocles, a peça, dirigida pelo cineasta Ricardo Alvez Júnior, flerta com o cinema. Com quatro indicações ao prêmio Sinparc 2020 e vencedora na categoria Melhor Atriz, é primeira vez que o grupo trabalha com diretor convidado.
Ainda dentro das ações presenciais, a trupe oferece duas oficinas gratuitas sobre o trabalho de atuação e dramaturgia nas peças do Quatroloscinco. A oficina de atuação será ministrada por Ítalo Laureano e Rejane Faria, e a de dramaturgia, por Assis Benevenuto e Marcos Coletta. “Vamos compartilhar com os participantes um pouco do que desenvolvemos ao longo desses quinze anos, tendo os espetáculos como material de observação e análise”, conta. As oficinas acontecem no Galpão Cine Horto. Para participar, os interessados deverão se inscrever através do site www.quatroloscinco.com e aguardar seleção.
A programação prevê também bate-papos online com artistas convidados que atravessam a história da companhia. Marina Arthuzzi (iluminação), Ana Hadad (voz e texto), Ed Andrade (cenografia) e Barulhista (trilha sonora) vão conversar sobre a parceria construída ao longo dos anos e como contribuíram para as criações do Quatroloscinco. “Entendemos o grupo como um laboratório de criação coletiva onde todos têm a mesma liberdade criativa. Assim, a gente aprende muito com os parceiros, é um processo artístico, mas também pedagógico. Marina Arthuzzi, por exemplo, está com a gente desde a primeira cena curta. A forma dela fazer e pensar o teatro se funde com a nossa”. Os bate-papos acontecem toda terça, no mês de março, às 20h, no canal YouTube do grupo (link). As lives serão abertas para interação do público no chat.
Ao longo de abril, o grupo lança as leituras dramáticas de três peças mais antigas e que não estão em cartaz durante a Mostra. “Humor”, “Ouro Lado” e “É só uma formalidade” serão gravadas, editadas e disponibilizadas em formato audiovisual, no YouTube do Quatroloscinco, com acesso gratuito. “Duas delas nem temos mais os cenários e figurinos. Revisitá-las de outra forma é como recriá-las de um ponto de vista diferente, mais maduro. Também é uma maneira de ressaltar e dar visibilidade para nossa produção dramatúrgica. O texto de uma peça não depende da peça, é uma obra autônoma e oferece outra experiência ao espectador”, comenta Marcos Coletta que coassina seis dos sete textos inéditos da companhia, publicados pela Editora Javali.
Para completar os festejos, o grupo lança, em maio, um documentário sobre os 15 anos, seguido de festa de encerramento. Produzido em parceria com a cinegrafista e documentarista Janaína Patrocínio, a produção será exibida no Galpão Cine Horto. “O filme se transforma em um registro para o futuro não só para o público, mas pra nós mesmos. Daqui a 15 anos, vamos poder voltar ao que somos agora e ao que fomos desde que essa história começou. Isso se contrasta com a efemeridade do espetáculo teatral, e por isso é tão importante produzir provas de que tudo isso foi feito e existiu”, reflete Coletta.
Foto: Luiza Palhares
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