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Espetáculo “Patuscada” mistura máscaras orientais, improvisação e interação com o público
Solo teatral de Rafael Protzner acontece nos dias 23 e 24 de fevereiro, no C.A.S.A., pela 45a Campanha de Popularização
“A máscara no teatro pode ser uma ferramenta pedagógica muito potente, pois exige que o ator esteja o tempo todo no momento presente. Atento ao seu corpo, consciente da sua voz e mente”. A reflexão é do ator mineiro Rafael Protzner, que conduz o solo “Patuscada”, fruto de sua pesquisa sobre as máscaras de Bali (Indonésia). Misturando improvisação, humor e interação com o público, o espetáculo acontece nos dias 23 e 24 de fevereiro, sábado e domingo, no C.A.S.A. (Centro de Arte Suspensa Armatrux), integrando a 45a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança.
Com direção de Mariana Lima Muniz, “Patuscada” traz encenação inspirada no teatro Topeng Pajegan, expressão popular balinesa. Em cena, Protzner traz as máscaras de Bali para o contexto brasileiro, aproximando o público da criação e apostando na improvisação como dramaturgia. “Como todo espetáculo que trabalha a improvisação, existe um roteiro estrutural. Nesse roteiro, uma máscara condutora estabelece um primeiro diálogo com o público. A conversa automaticamente vira matéria-prima para as histórias que serão improvisadas por outras máscaras na trama. Ao final, chega-se a um espetáculo inédito, construído com a plateia de forma espontânea e prazerosa”, sublinha Protzner.
Integrante da trupe de palhaçaria Trampulim, Protzner conta que seu primeiro contato com as máscaras se deu justamente com o nariz de palhaço, “a menor máscara do mundo”. Mas foi em 2013 que o ator “mergulhou” na linguagem, durante uma pesquisa realizada em Bali, quando conheceu o mestre I Made Djimat. “No Topeng Pajegan, um ator solo retrata todos os personagens da trama, alternando máscaras inteiras, usadas para a dança, com máscaras de meio rosto, que permitem comentários e narração de histórias. Dessa forma, o ator pode aparecer como um velho pescador e desaparecer nas cortinas ressurgindo como um jovem cortesão”, explica. “É um trabalho que exige absoluta consciência do corpo. Por isso, ao retornar ao Brasil, iniciei um longo processo de treinamento com as máscaras, criando os personagens que futuramente entrariam para o roteiro de ‘Patuscada’”, completa.
Para o artista, entrar em contato com as máscaras é algo revelador. “Ao contrário do que parece, no teatro acreditamos que a máscara não esconde e sim revela quem está por trás dela. Se trata de encontrar, nas linhas de expressão da máscara, algo que permita jogar e brincar de ser”, reflete. “No espetáculo, as máscaras estão o tempo todo quebrando a parede com o público, não existe máscara sem público. A partir desse encontro o espetáculo é levantado a cada apresentação. A participação do público é tão importante que algumas máscaras gostam de levar a plateia para dentro do cenário”, completa.
Segundo o ator, o trabalho junto ao Trampulim teve forte influência no processo de criação de “Patuscada”. “Curiosamente, a palavra balinesa ‘bondrés’, é traduzida como ‘palhaços’. São a parte profana das cerimônias, pois dialogam com o que está acontecendo no momento presente. Fazendo um paralelo com a palhaçaria brasileira, posso dizer que os bondrés balineses têm uma função parecida com a figura do palhaço no circo”, compara. “Todos os caminhos que me levaram a encontrar o Alfinete, meu palhaço, foram de extrema importância no processo de descobrimento dos personagens de ‘Patuscada’ e no processo com as máscaras em geral. O palhaço é o contrário da neutralidade, é tudo aquilo que sou mas não quero ser e tudo aquilo que não sou mas quero ser”.
Protzner lembra ainda que a iluminação e a trilha sonora são praticamente outros dois personagens dentro da estrutura da peça. “Elas cumprem um papel da direção, influenciando o rumo das cenas improvisadas através de climas e atmosferas. Luz e trilha sonora estão o tempo todo jogando com as máscaras e vice-versa”, diz Protzner, ressaltando a importância da direção de Mariana Lima Muniz. “Ela é responsável por ‘colocar luz’ naquilo que eu, muitas vezes, de dentro da cena, não consigo enxergar. É a pessoa certa para conduzir um jogo de improviso pois dedicou grande parte da sua vida a pesquisa da improvisação através de seus espetáculos, livros e artigos sobre o tema”.
Apesar de ter estreado em 2017, no Festival de Inverno de São João del-Rei, por se tratar de um espetáculo de improvisação, “toda apresentação é uma grande estreia”. “‘Patuscada’ é, sem dúvida, um espetáculo que vai se desenhar ao longo de sua trajetória de apresentações e experimentações. A minitemporada na Campanha de Popularização do Teatro e da Dança será a segunda oportunidade de amadurecer o trabalho diante do público”, pontua o ator. “O público pode esperar um espetáculo versátil e divertido, adaptável para públicos de todas as idades. Além do espetáculo, os espectadores terão uma noite especial, curtindo o C.A.S.A. e suas cervejas artesanais e comidas vendidas antes da peça”, finaliza.
Foto: Bianca Furtado
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