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Abram alas, que o pessoal do Tchanzinho Zona Norte está chegando com a corda toda para o desfile que vai acontecer na manhã do sábado de Carnaval
O bloco ficou sem sair às ruas nos dois últimos anos, por causa da pandemia, e agora promete estourar que nem rolha de champanhe
Abram alas, que o pessoal do Tchanzinho Zona Norte está chegando com a corda toda para o desfile que vai acontecer na manhã do sábado de Carnaval, dia 18 de fevereiro. O bloco ficou sem sair às ruas nos dois últimos anos, por causa da pandemia, e agora promete estourar que nem rolha de champanhe, levando alegria, engenho e arte para as dezenas de milhares de pessoas que estão sendo esperadas na Avenida Abrahão Caram, 1.001 (Pampulha), onde acontece a concentração, a partir das 9 horas da manhã, e também o cortejo, que segue um pouco mais tarde pela Esplanada do Mineirão.
Antes de mais nada, o Tchanzinho Zona Norte é um bloco de família. Nasceu há dez anos durante uma conversa dos irmãos Rodrigo Picolé, músico e agitador cultural, e Laila Heringer, bióloga, em sua casa no bairro Dona Clara, diante de um café. O momento era de estabelecimento de um novo ciclo do Carnaval de rua de Belo Horizonte, com o surgimento de novos blocos, novos formatos, novas propostas. Laila e Rodrigo sentiam falta de ocupar mais os espaços da Zona Norte da cidade, durante a festa, que tradicionalmente privilegia regiões como a Centro-Sul. Rodrigo, que tem ligação direta com a música e a cultura baianas, propôs que o bloco relesse sucessos do Carnaval de Salvador dos anos 90 e início de 2000, pinçados dos setlists de bandas como É o Tchan!, Gera Samba, Terra Samba, Asa de Águia, Tchakabum e Companhia do Pagode – um repertório popular e de grande poder de comunicação, carinhosamente apelidado de “baixa gastronomia da axé music”.
O TZN, portanto, foi concebido pelo espírito familiar – uma família de grandes talentos, diga-se – e nasceu como uma agremiação de bairro. Tanto é que o Tchanzinho estreou em 2013 com 50 figuras na bateria e um público estimado em 1.000 pessoas, em sua maioria moradores do Dona Clara. Mas família que é família é generosa, acolhedora. Daí foram se achegando amizades e parcerias, e o bloco foi afirmando cada vez mais sua identidade, crescendo sem parar. Em 2020, o bairro ficou pequeno, e o TZN aportou no entorno do Mineirão – já com estrutura grande de orquestra, bateria de 120 componentes, ala de 60 dançarinos e com um público de brincantes que girou em torno de 60 mil pessoas. O bloco, que tem presença de destaque na folia de Belo Horizonte, é hoje a principal referência carnavalesca da Zona Norte. E não para de se multiplicar.
São muitas as famílias do Carnaval. No TZN, marcam presença muitas crianças e idosos, especialmente durante a concentração do bloco. Os componentes da bateria se encaixam, em sua maioria, na faixa dos 30 anos – há ocorrência notável de universitários pós-graduandos. Também não pode faltar a família LGBTQIAP+, sempre fiel, com representantes de várias gerações. Tem gente do Dona Clara. Tem gente de toda a capital mineira. Não é outra a vocação da festa plural, inclusiva e calorosa do Tchanzinho. Sua bateria, que ensaia regularmente, mistura com alegria percussionistas profissionais e amadores. Sua ala de dançarinos – o cativante Balezinho do Tchanzinho, um dos principais emblemas do bloco – não é só referência de exuberância, mas também de diversidade. Para além da folia, o TZN, afinal, não abre mão de um Carnaval responsável, gentil, e desencoraja comportamentos ainda arraigados em outras festas, como o sexismo, a objetificação do corpo feminino, o preconceito e a discriminação por questões de gênero, etnia, sexualidade, religião, faixa etária, neurodivergência e corpos fora do padrão, assim como o descarte irresponsável de lixo nos espaços urbanos. Essa é a família que a gente quer.
Para o Carnaval de 2023, que está aí tinindo e trincando, o TZN traz o tema “Tchanzinho vai a volver”, inspirado no hit “Envolver”, de Anitta, lançado ainda em fins de 2021 e que alcançou sucesso mundial. O tema também traduz o reencontro do bloco com as ruas da cidade, das quais estava afastado há dois anos. E não só: é o momento de reconciliação do povo com sua vocação democrática, com um projeto de país mais consistente, com horizontes mais plenos de humanidade. A música-tema deste cortejo é “Encanto geral”, que tem autoria e arranjo de Rodrigo Picolé, também responsável pela direção musical do bloco. E vem mais novidade por aí. Para este ano, além do bom e velho axé, distintivo do TZN que é garantia de requebros febris, a playlist vai contar também com estilos como o piseiro e o pagodão, ao lado de temas de integrantes do Tchanzinho e de blocos amigos. A família agradece. Evoé!
Luís Filipe de Lima, produtor musical e pesquisador
Foto: Divulgação
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