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O artista Oscar Araripe recebe o título de Cidadão Honorário de Minas Gerais
Texto de agradecimento do pintor e escritor Oscar Araripe, contando o seu caminho de mineiridade.
Nasci na Tijuca, no Rio, na casa de meus avós maternos, sou, portanto, carioca da gema. Nada como um mineiro para entender a importância de uma casa de avós. Meu avô, Oscar de Alencar Araripe, assim como minha mãe, Oscarina de Alencar Araripe eram cearenses. Cacá, como o chamávamos, fundou a primeira livraria de Fortaleza e ainda jovem veio morar no Rio. Cresci orgulhoso de pertencer a uma família com três heróis e vários escritores: Barbara de Alencar, minha sexta-avó, primeira presa política do Brasil, Mãe da Independência e da República, figura no Panteão dos Heróis da Pátria, em Brasília. Seu filho, Tristão de Alencar Araripe, foi o presidente eleito do movimento republicano e abolicionista da Confederação do Equador. Lutando contra os imperialistas, Tristão repudiou o nome português e adotou o nome indígena, Araripe, em homenagem à Chapada do Araripe, um dos mais belos recantos do Cariri e do Brasil. O outro filho de Bárbara, também herói, foi o Padre José Martiniano de Alencar, pai do escritor José de Alencar e primo do grande crítico literário Araripe Jr., ambos fundadores da Academia Brasileira de Letras.
Digo-lhes isto porque foi neste ambiente que me tornei um admirador de Minas Gerais, pois Cacá era um amante da literatura mineira, e possuía livros a ele dedicados por Guimarães Rosa e Lúcio Cardoso, por exemplo. Na verdade ele tinha uma excelente “mineiriana”, e que eu, já adolescente, folheava e lia, com vivíssimo interesse. E assim eu me tornei “mineiro” antes mesmo de conhecer Minas Gerais.
Este era o meu mundo familiar e esta a biblioteca de meu avô, e que tanto me acendeu a imaginação de menino. A começar porque não era chamada de biblioteca, e sim de “gabinete”. Depois, era linda, ocupava uma grande sala do andar de cima da casa, dando para uma varanda com rede, possuía belas portas envidraçadas, com fechaduras, e incontáveis coleções encadernadas, assim como muitos livros com dedicatórias ao meu avô, inclusive de José de Alencar, Getúlio Vargas (a quem ele muito admirava)-, Floro Bartolomeu, o político e inimigo ferrenho do Padre Cícero e de Luiz Carlos Prestes -, o grande poeta cearense Quintino Cunha e o próprio Padre Cícero do Juazeiro, com quem ele trocou algumas cartas, todas de cunho social, pois era pessoa preocupada com a pobreza e a educação dos sertanejos.
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