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Cómo te Lhama? desfila pela quarta vez em BH neste domingo

Cortejo do bloco de música latina traz como tema o povoado imaginário de Macondo; desfile acontece a partir das 10h, no Pompéia


No fim de 2019, episódios políticos e sociais ameaçaram mais uma vez a liberdade da América Latina, como se nosso povo não pudesse ter um instante de sossego. Como, então, transformar revolta, impotência e injustiça em uma catarse coletiva? A partir dessa provocação, o Cómo te Lhama? mergulha em 2020 no clássico "Cem Anos de Solidão", de Gabriel Garcia Marquez, que apresenta um trecho da história da América Latina contado em forma de fábula, misturando o cotidiano com o atípico, o real com o fantástico.

A trama é narrada a partir de um povoado afastado da capital e da modernidade, onde os habitantes foram esquecidos e rejeitados. Esse lugar é Macondo, povoado rodeado por águas, que possui vegetação úmida e paisagem característica das florestas do Caribe Colombiano. Justamente num ambiente como a cumbia nasceu, também na Colômbia, às margens de um rio. Pois é Macondo, então, o fantástico e colorido povoado retratado por Gabo, o tema do bloco de música latina de BH, cujo desfile deste ano acontece neste domingo, 9/2, a partir das 10h, na Avenida Belém, no Bairro Pompéia.

Borboletas amarelas, araras e peixes dão o tom das fantasias, além das já tradicionais lhamas cumbieras. O repertório também ganha reforços e novidades, tanto de músicas nacionais como de compositores outros países latino-americanos e também autorais, da Orquesta Atípica de Lhamas, banda que surgiu com o bloco. Uma das canções da lista é a própria “Macondo”, do cantor colombiano Oscar Chavez, famosa na versão do mexicano Celso Piña.

Cerca de cem batuqueiros que vêm ensaiando desde outubro do ano passado formam o bloco junto aos integrantes da banda, além de um time de sopristas. A guira, instrumento característico da cumbia, mistura-se com agbês, alfaias, surdos, caixas e ferros, formando a bailante bateria do Cómo te Lhama?. Este é o quarto do desfile do Cómo te Lhama?, bloco que surgiu em 2017, originando a Orquesta Atípica de Lhamas e propondo o estreitamento de laços culturais entre o Brasil e seus países hermanos.

O cortejo deste ano tem patrocínio da Skol Puro Malte e da Prefeitura de Belo Horizonte.

Orquesta Atípica de Lhamas

Nascida logo após a primeira edição do bloco, a banda possui integrantes de importantes grupos musicais e teatrais de BH, que, unindo-se às vozes de Claudia Manzo (CH/BH), Carlos Bolívia (BO/BH) e Laura Lopes (BH), entoam composições próprias e pérolas do ritmo de origem colombiana fortemente difundido em toda a América Latina.

Com uma instrumentação peculiar, a orquestra combina sonoridades: as percussões latinas e dos blocos carnavalescos de BH se fundem à banda com baixo, guitarras, charango e cuatro. Para além da cumbia, a banda passeia por ritmos latinos diversos, como reggaeton, ragga, lambada, guaracha, rumba e quarteto, criando conexões com elementos da música afrobrasileira.

Essas fusões já originaram algumas músicas autorais, sendo a primeira delas “Cómo te Lhama?” (Carlos Bolívia), hino do bloco homônimo, que ganhou gravação e videoclipe em 2018. Outras composições próprias são “Yo Quiero Cumbiar”, também de Bolívia, e “Yo No Soy Gringa” e “Treme Terra”, de Claudia Manzo. Já conhecidas do público, as duas primeiras foram gravadas e em breve também serão lançadas nas plataformas digitais. No show, vibrante e cheio de energia, as autorais dividem espaço com sucessos da cumbia como “Carinito” (Los Hijos del Sol), “Loca” (Chico Trujillo), e “Por Dios Que No” (La Delio Valdez), além de releituras de canções de Manu Chao, Dona Onete, Gaby Amarantos, Academia da Berlinda e Felipe Cordeiro. Versões de nomes da música contemporânea mineira, como Semreceita e Djalma Não Entende de Política também compõem o repertório.

Desde sua criação, a Orquesta Atípica de Lhamas tem circulado por festivais, mostras e casas de shows de Minas. O ano de 2018 começou com uma apresentação histórica com a cantora Maria Alcina, que lotou o Grande Teatro do Sesc Palladium, na abertura do Verão Arte Contemporânea (VAC). A banda já tocou ainda em festivais como Planeta Brasil – em um line-up com atrações internacionais como Phoenix, Soja e Vintage Culture – e Vibra, dividindo palco com Nação Zumbi e Graveola. Outros shows aconteceram em festas como Noites Incríveis (com o rapper Djonga) e Jangalôve (com Chama o Síndico e Então Brilha); em mostras como CineBH, FestCurtas e CineOP (Ouro Preto); entre de diversos bailes de produção própria no Necup e no Bar Latino, sendo um deles com a participação das percussionistas colombianas Orito Cantora e Jenn del Tambó.

Foto:Beth Freitas

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