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Projeto Maravilhas se apresenta no Palácio das Artes na 46ª Campanha de Popularização

Espetáculo faz apresentações de 5 a 9 de fevereiro na Sala Juvenal Dias. Trabalho parte do primeiro crime por homofobia registrado em BH e constrói um mapa dos afetos e desejos pelos espaços urbanos reais e imaginários da atualidade

De 5 a 9 de fevereiro, a Sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes, recebe o espetáculo Projeto Maravilhas na programação da Campanha de Popularização Teatro & Dança. Com direção de Cláudio Dias (Cia Luna Lunera) e dramaturgia de Marcos Coletta (Quatroloscinco Teatro do Comum), a montagem parte das vivências do elenco formado por Aisha Brunno, Bremmer Guimarães, Igor Leal e Pedro Henrique Pedrosa, para percorrer uma cartografia dos desejos nos espaços públicos da cidade e repensar uma ideia de comunidade entre pessoas LGBTs.

 

Tocar nos corpos homossexuais que habitam o espaço urbano. Evidenciar esses corpos, entre o medo e a violência, entre o amor e a sacanagem. Naturalizar o que muitas vezes é considerado invisível e colocado à margem pela sociedade. Durante sua criação, a peça teve como dispositivo a busca por um recorte contemporâneo das potências e fragilidades das homossexualidades masculinas, em espaços urbanos reais e imaginados.

 

A ideia do trabalho surgiu quando o elenco começaram a trabalhar juntos durante a montagem de PassAarão, espetáculo de rua do Grupo Espanca. Inspirado por aquele processo, nascia o desejo em poderem mergulhar num tema mais específico da relação entre arte e cidade, com foco agora nas masculinidades e nas homoafetividades, em seus diferentes territórios. 

 

O conceito de “projeto” surgiu ao longo dos ensaios, aproximando a montagem de um experimento, uma criação em constante processo, um convite pra uma experiência compartilhada com o público. Em tempos de conflitos políticos acirrados no país e no mundo, Projeto Maravilhas incita à construção de um “jardim”, um espaço pensado como possibilidade de resistência e vazão pra novos modos de vida e existência, de luta contra o preconceito e a intolerância.

 

Como podemos somar forças entre nossos pares e criar uma cultura de paz, em vez de continuar as violências que também se propagam na nossa comunidade? A dramaturgia de Marcos Coletta e a encenação de Cláudio Dias partem de diferentes caminhos e referências, tendo como fio condutor as relações entre pessoas LGBTs e as suas contradições. A temporada no Palácio, confirma uma trajetória de reconhecimento do espetáculo, que já fez duas temporadas em 2018 e 2019 na Funarte MG, temporada em abril de 2019 no Fringe/Festival de Curitiba e recentemente se apresentou na ZAP 18 - Zona de Arte da Periferia. Em 2020, o trabalho volta ainda em cartaz na programação do Zona Cultural Praça da Estação, após seleção em edital público da Secretaria Municipal de Cultura (BH/MG). 

 

Em seu percurso, a peça dialoga com textos dos estudos culturais queers; com a obra literária Paraíso das Maravilhas, do pesquisador Luiz Morando, que investiga o primeiro assassinato registrado por homofobia em BH, no Parque Municipal, nos anos 1940; com o dispositivo de pesquisa cênica e corporal do contato-improvisação, pesquisa do diretor Cláudio Dias; sem se esquecer da memória do teatro LGBT, lembrada pela figura de resistência do encenador Ronaldo Brandão, atuante na cena da cidade durante o período da ditadura militar brasileira

 

Os ingressos custam R$13, com vendas nos postos da Campanha de Popularização e pelo site do Sinparc. No Palácio das Artes, os ingressos na hora custam R$30 (inteira) e R$15 (meia). A equipe de criação conta também com as artistas Marina Arthuzzi (iluminação), Thálita Motta (cenário, figurino e adereços), André Victor (projeto gráfico) e Will Soares (operação de luz e som). Nesta temporada, o ator Diego Roberto também integra o elenco. A montagem é uma realização da Plataforma BEIJO.

Foto:Divulgação

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