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Regional da Serra realiza roda de choro com paulistas do Regional Imperial e outros convidados

Encerrando o projeto "A Praça do Choro é Nossa", grande roda acontece neste sábado (5), no Baticum; além dos músicos do grupo, que ministram oficina no mesmo dia, terá os convidados Acir Antão, Diza Franco, Juliana Ávila, Marcelo Jiran e Cícero do Acordeo

Acontece neste sábado, dia 5 de fevereiro, a grande roda de encerramento do projeto "A Praça do Choro é Nossa", dos mineiros do Regional da Serra. Visando celebrar a tradição do chorinho em Belo Horizonte, a iniciativa realizou quatro rodas de choro em feiras livres da capital entre os meses de janeiro e fevereiro, chegando ao final com a quinta e última roda. O encontro de chorões terá a participação do grupo paulista Regional Imperial, uma das grandes referências do gênero na atualidade, além dos mineiros Acir Antão (voz), Cícero (acordeon), Diza Franco (voz), Juliana Ávila (flauta) e Marcelo Jiran (saxofone). O evento começa a partir das 16h, no Baticum Tendinha Cultural, no Bairro Concórdia, e a entrada é gratuita, mediante retirada de ingressos pela Sympla. É necessário apresentar o comprovante de vacinação contra a Covid-19, em duas doses, na entrada do espaço. O projeto "A Praça do Choro é Nossa" é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

Nascido em 2015, do encontro de músicos que “se criaram” na emblemática roda do Bar do Salomão, o Regional da Serra é hoje uma referência da nova geração do chorinho na cidade. Formado por Daniel Nogueira (pandeiro), Daniel Toledo (violão sete cordas), Pablo Dias (cavaco) e Pedro Alvarez (flauta), o grupo buscou, através do projeto, difundir o choro também por meio da descentralização e da inserção da música no cotidiano da população. Outro ponto central da iniciativa foi a mistura entre novos instrumentistas, como Marcela Nunes (flauta), Juliana Perdigão (clarineta) e Claudia Sampaio (saxofone), e chorões da velha guarda de BH, como Ausier Vinícius (cavaco), Rubens (pandeiro), Geraldo Magela (violão sete cordas) e Zé Carlos Choairy (cavaco).

A roda de encerramento segue a missão de juntar novos e antigos músicos, além de receber os instrumentistas do Regional Imperial, de São Paulo, uma das principais referências nacionais da nova geração do chorinho. O grupo é formado por João Camarero (violão sete cordas), Junior Pita (violão), Lucas Arantes (cavaquinho) e Rafael Toledo (pandeiro), que na passagem por BH será substituído por Xeina Barros. Também no sábado, dia 5 de fevereiro, às 10h, no Baticum Tendinha Cultural, o grupo realiza uma oficina voltada para a linguagem das rodas de choro, direcionada a instrumentistas de BH. A ideia é fomentar o profissionalismo e o aprimoramento musical da cena da capital, que com sua solidez merece ter intercâmbio com grandes nomes do choro nacional. A oficina é gratuita e conta com 30 vagas, que serão preenchidas mediante inscrição prévia neste formulário.

Renovação e tradição do choro em BH

Quem acompanha o choro de Belo Horizonte sabe que a cidade vive um processo de renovação nos últimos anos, iniciado em 2015, com o fim da roda do Salomão. O que, inicialmente, foi um baque para os “chorões” de BH, acabou gerando um potente e natural efeito de difusão, fazendo surgir novos grupos e rodas. “Apesar de todo mundo ter vivido bons momentos no Salomão, era uma roda que não tinha muito espaço para outros músicos. Quando ela acabou, esses músicos criaram ou foram tocar em outras rodas. Umas oito rodas novas apareceram”, relembra o violonista Daniel Toledo. “Nós logo fizemos uma roda no Brasil 41, no Santa Efigênia, que na primeira noite ficou lotada. Foi incrível”, completa, destacando ainda rodas como o Choro do Jura (no bar Juramento 202, no Pompeia); o Choro da Mercearia (no Bar do Walter, no Santa Tereza); e a Roda Padreco (no Butiquim Vila Rica, no Padre Eustáquio).

O Regional da Serra, tal como se configura hoje, também deriva desse processo. “Crias” da roda do Salomão, os quatro músicos belo-horizontinos, que já tocavam juntos em alguns trabalhos profissionais, decidiram, nessa época, oficializar o grupo e batizaram-no com o bairro que os conectou. “Colocamos o nome em homenagem ao bairro onde fica o Salomão, juntando com essa coisa tradicional do choro, do ‘regional’. Geralmente, os ‘regionais’ têm violão sete cordas, violão seis cordas, pandeiro e cavaco. E tocam sem muitos improvisos. No nosso caso, só temos um sete cordas, mas nos inspiramos nos regionais mais na forma tradicional de executar as músicas e no repertório”, afirma o cavaquinista Pablo Dias.

“Acaba que os instrumentos solo ditam muito o que tocamos. Ou seja, como a flauta é nossa principal solista, temos muito Altamiro Carrilho, Pixinguinha. O cavaco também é forte, então entra bastante Waldir Azevedo. Mas não ficamos fechados à formação, fazemos muitas do Jacob do Bandolim. Uma coisa que buscamos é executar não só os clássicos dos grandes compositores, mas choros menos conhecidos, para contribuir com a difusão”, continua Dias. “Nosso repertório tem muito a ver com o choro de BH, com o que se toca na cidade, mas também com as referências de cada integrante. E já estamos nos planejando para gravar choros autorais”, completa.

Para Pedro Alvarez, a renovação do choro, do ponto de vista musical, se dá naturalmente pela transferência de conhecimento entre gerações. “O choro é um gênero antigo, por definição. Mas que segue atravessando as gerações, sendo sempre revisitado por músicos e ouvintes. Essa passagem de geração, por si só, renova a linguagem. ‘O choro é eterno’, disse Caetano Brasil, grande clarinetista mineiro, de Juiz de Fora, que foi indicado ao Grammy Latino. Acredito que, quem chega, estuda e se inspira nos grandes mestres, aprende com a velha guarda e desenvolve uma identidade até buscar um caminho autoral”, afirma.

Para Daniel Toledo, a renovação do choro em BH não é só musical, “mas também social, de conceitos, de visões sociais e políticas”. “O choro já foi ligado a uma coisa mais conservadora, sempre masculina. Muitos músicos antigamente eram militares. Hoje, você vê espaços, músicos e público progressistas, que respeitam a diversidade, que não aceitam o preconceito, com rodas que acolhem instrumentistas mulheres, que são mais abertas musicalmente”, ressalta o violonista. Entre chorões e choronas da nova geração, os músicos do Regional da Serra citam nomes como Juliana D'ávila e Marcela Nunes (flauta), Sandra Leão e Analu Braga (pandeiro), Artur Pádua (violão seis cordas), Matheus Petrus (trompete) e João Paulo ‘Buchecha’ (trombone).

Quando o papo é velha guarda, os instrumentistas do grupo reverenciam a memória do Mozart Secundino (violão seis cordas), ícone do chorinho de BH e um dos fundadores do Clube do Choro de Belo Horizonte, falecido em 2015, aos 92 anos. “Seu Mozart é uma influência incontestável para todo mundo que toca choro na cidade. Principalmente, para quem passou pelo Bar do Salomão”, afirma o pandeirista Daniel Nogueira, destacando outros espaços que contribuíram historicamente para a solidificação da cena, como Pedacinho do Céu, Cartola Bar, Mercearia do Lili e Bar do Bolão. “Também já perdemos outros grandes nomes, como Daniel Sete Cordas, Zazá do Pandeiro, Tião do Bandolim e, mais recentemente, Marcelão, vítima de Covid, no ano passado. Mas temos a honra de dividir tempo e espaço com tantos outros, como Zé Carlos, Geraldo Magela, Zito e Ausier Vinícius. Todos estarão nas rodas que realizaremos com este projeto, o que é um presente para nós e para a cidade”.
 

Grande Roda de Encerramento do projeto "A Praça do Choro é Nossa", do grupo Regional da Serra

Participações: Regional Imperial (SP), Acir Antão, Diza Franco, Cícero do Acordeon, Juliana Ávila e Marcelo Jiran

Quando. Sábado, dia 5 de fevereiro, às 16h
Onde. Baticum Tendinha Cultural (R. Itararé, 566, Bairro Concórdia)
Quanto. Entrada franca, mediante retirada de ingressos pela Sympla

Oficina. Sábado, dia 5 de fevereiro, às 10h, no Baticum. Participação gratuita (30 vagas). Inscrição neste formulário
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Foto: Divulgação

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