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Segunda edição da revista literária Olympio

Editada em Minas Gerais e distribuída no Brasil e em Portugal, publicação chega ao mercado de cara nova e com 280 páginas de material inédito

Ao explorar, de modo caleidoscópico, as conexões entre literatura e outros campos artísticos e do saber, a revista Olympio – Literatura e Arte chega à segunda edição. Criada em 2018, na capital mineira, a publicação independente é obra da escritora Maria Esther Maciel, do jornalista José Eduardo Gonçalves, do designer Julio Abreu e do arquiteto Maurício Meirelles – todos com vasta trajetória na cena cultural da cidade. Com 280 páginas de farto conteúdo inédito, assinado por 47 nomes, e design primoroso, Olympio volta a investir no “caráter duplo e potente” da linguagem, que, de um lado, é guarda e memória, e, de outro, reinventa “o que está ao lado, as coisas, a vida em seus enredos surpreendentes”. O lançamento oficial do segundo número da publicação será no dia 8 de fevereiro, das 12h às 16h, na Livraria da Rua (rua Antônio de Albuquerque, 913 – Savassi), em Belo Horizonte (MG), com a presença do líder indígena Ailton Krenak, entrevistado desta edição.

A revista enfatiza a produção ficcional, poética e ensaística contemporânea, por meio de perfis e entrevistas, tradução de textos literários, relatos de viagem, ensaios visuais e fotográficos. “Edição a edição, buscaremos reafirmar a transversalidade e a pluralidade de ideias”, destaca Maria Esther Maciel. A segunda edição de Olympio abre 30 páginas para depoimento exclusivo de Ailton Krenak, uma das principais lideranças indígenas do Brasil, com ilustrações de Denilson Baniwa e fotos de Miguel Aun. Além disso, apresenta comovente perfil do diretor de teatro Zé Celso Martinez, assinado pelo amigo de infância Ignácio de Loyola Brandão.

A edição também revisita a notável (e ainda pouco conhecida) poesia da amazonense Astrid Cabral, assim como revela trabalhos inéditos, no Brasil, da poeta norte-americana Emily Dickinson, do cineasta britânico Peter Greenaway, da escritora romena Aglaja Veteranyl e do argentino César Aira. O poeta Adão Ventura, no aniversário de 15 anos de sua morte, é lembrado pelo escritor Carlos Herculano Lopes, e, em primeira mão, o poeta Ricardo Aleixo antecipa um capítulo de seu livro de memórias.

A edição também elenca nomes como Evando Nascimento, Gustavo Pacheco, Kalaf Epalanga, Veronica Stigger, Dirce Waltrick do Amarante e Olívio Jekupe, dentre outros. Há, ainda, ensaios visuais e fotográficos. A obra que estampa a capa da segunda edição foi concebida pela artista Nydia Negromonte. Já o poeta e artista gráfico Guilherme Mansur assina a arte visual do lema da revista: “Não há o que não haja”.

Junto ao segundo número, sairá a nova edição da primeira edição de Olympio – esgotada há muitos meses –, com novo projeto gráfico, assinado pelo Estudio Guayabo, de Belo Horizonte. A revista é viabilizada com o apoio da Editora Miguilim, em parceria com a Tlön Edições.

Tradição renovada

Quando saiu a primeira edição de Olympio, em 2018, a revista foi recebida com entusiasmo tanto pelo público quanto pela crítica. Trata-se, afinal, de publicação que remonta a uma tradição cultural de Belo Horizonte. Conforme destacara o escritor Silviano Santiago, “esse trabalho editorial, quase inédito nas últimas décadas, garante o retorno de Minas ao mapa literário contemporâneo”.

A cidade mal havia nascido e, já em 1901 e 1902, registra a existência, ainda que breve, das revistas Minas Artística e Horus, respectivamente. As décadas seguintes foram pródigas em publicações. Nos anos 1920, Drummond dirigiu A Revista, que durou três números, e o jornal Estado de Minas editou o suplemento Leite Criôlo. Em 1946, surge a revista Edifício, que reuniu a geração de Francisco Iglesias, Sábato Magaldi e Autran Dourado. Um ano depois, Hélio Pellegrino criou a revista Nenhum, que não saiu do primeiro número. Nos anos 1950, surgem Vocação, Tendência e Complemento.

Os anos 1960 veem surgir a revista Estória, que durou seis edições. Os anos 1970 registram forte movimento de resistência, com o aparecimento (e, quase sempre, o precoce fechamento) de Bel’Contos, Silêncio, Circus e Inéditos. De lá para cá, a cena editorial literária minguou (a revista Palavra, editada entre 1999 e 2000, era dedicada à cultura em geral). Há que se destacar, apenas, a respeitável continuidade, até os dias de hoje, do Suplemento Literário de Minas Gerais, fundado, em 1966, por Murilo Rubião.

Foto:Miguel Aun

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