Notícias
“O Cara” do handpan, Thiago Peixoto lança quarto single da carreira solo, com participação da cantora Rayane Boldrini
Parceria com Ricardo Ulpiano, “Mero” conta ainda com trio de cordas gravado por músicos da Orquestra Ouro Preto; faixa sai nas plataformas digitais nesta sexta (29)
Desde o ano passado, o músico mineiro Thiago Peixoto vem solidificando seu projeto pessoal, baseado no handpan como linha-guia melódica de composições que dialogam com elementos da música pop, como a voz, as estruturas da canção e os ritmos brasileiros. O quarto single da carreira solo do artista – que tem 20 anos de estrada como baterista e produtor musical – sai nesta sexta-feira, dia 29 de janeiro, nas principais plataformas digitais de streaming. Parceria com Ricardo Ulpiano, a faixa “Mero” tem participação da cantora mineira Rayane Boldrini e ganhou novo arranjo, que contou com trio de cordas gravado por músicos da Orquestra Ouro Preto, além de contrabaixo acústico e, claro, do handpan.
>> Escute“Mero” no Spotify
A música surgiu em 2016 e foi gravada inicialmente no disco “Por que Calar?”, de Ricardo Ulpiano, produzido por Thiago Peixoto. “Durante a pandemia, criei no YouTube um projeto chamado ‘Convida’. A ideia foi chamar parceiros e parceiras para gravar vídeos semanais comigo. Foram instrumentistas, vocalistas, dançarinas e até contadores de histórias. Uma das convidadas foi a Rayane, com quem toquei ‘Mero’, só voz e handpan”, conta Thiago. “Para o single, trabalhamos essa gravação do ‘Convida’ e acrescentamos alguns instrumentos”, completa.
O músico conta que convidou para gravar baixo acústico o parceiro Thiago Braga (Djonga, Patu Fu), com quem tocou na banda de Érica Machado, anos atrás. “Então, decidi acrescentar um trio de cordas, com viola, violino e violoncelo. O Daniel Tamietii, que também gravou no último single, fez o arranjo de cordas e trouxe dois amigos que tocam com ele na Orquestra Ouro Preto para gravar. Ele gravou violoncelo, o Lucas Côrtes, violino, e o Felipe Neves, viola”, afirma, lembrando ainda a linha de piano gravada por Ricardo Ulpiano. “A gravação ficou bem diferente da original, que tem uma onda mais pop. Trouxe uma pegada mais leve, contemplativa, por causa da atmosfera do próprio handpan”.
>> Assista: Thiago Peixoto e Rayane Boldrini tocam “Mero” no projeto “Convida”
Para Thiago, “Mero” dá uma “quebrada” na sequência de singles anteriores, que flertavam com ritmos brasileiros mais dançantes, como xote e maxixe. “Continua sendo uma música pop, já que a proposta do trabalho é essa: deslocar o handpan de um lugar somente holístico. Mas é uma música mais amena, mais zen”, defende. “O arranjo ficou muito lindo na voz da Rayane, que é uma cantora extremamente versátil. Tem todo um trabalho com a música pop nacional e internacional, com a banda Mary Pops, e passeia muito bem por outros universos, como o da música popular brasileira. Aprovei a gravação de um disco no edital da Aldir Blanc e ela será, com certeza, uma das artistas convidadas”.
Sequência de singles
Em 2016, Thiago Peixoto encantou-se pela sonoridade relaxante e pelas melodias sutis do handpan, curioso instrumento percussivo feito pela junção de duas meia-conchas de chapas de aço, que pode ser tocado com as mãos ou com baquetas de xilofone. Criado em 2001 por Felix Rohner e Sabina Schärer, na Suíça, o instrumento é muito utilizado para propósitos holísticos, como nas práticas da yoga e da meditação. Seis anos depois de aprofundar os estudos acerca do instrumento e de suas possibilidades musicais, Thiago Peixoto resolveu investir em um projeto solo que mistura a melodia ímpar do handpan com ritmos populares.
>> Escute aqui “Andiroba”
Desde então, o músico já lançou três singles, todos em 2020. O último deles foi “Andiroba”, que introduz o handpan aos caminhos do choro e do maxixe. “É uma música que tem essa pegada brasileira, que eu queria que remetesse à atmosfera do Nordeste. Por isso, ela ficou um choro-maxixe. Gravei os instrumentos de percussão, como pandeiro e prato de cozinha. E convidei o Leo Pires para gravar a bateria”, conta Thiago Peixoto. “Andiroba” deu sequência ao lançamento de “Galaxy” e “Hand Love”, os dois primeiros singles do trabalho solo de Thiago Peixoto. Lançada em setembro, “Galaxy” perpassa um universo mais espacial, abrindo caminhos para uma nova jornada estética, resumida em “Hand Love”. A faixa, que saiu em novembro, tem vocais de Rafa Dias e mescla as melodias holísticas do handpan com o forró.
“Nas composições que fiz recentemente, tenho buscado incluir ritmos brasileiros que são mais familiares, para conectar as pessoas. Componho no próprio handpan, muitas vezes já pensando onde vai entrar a voz”, afirma Peixoto, ressaltando que a letra de “Hand Love” é do parceiro Ricardo Ulpiano. “Não conheço ninguém que leve o handpan para esse lado mais pop, talvez eu seja o precursor desta ideia”, completa o músico, que já tocou bateria com nomes como Érica Machado e Vander Lee.
>> Escute aqui “Hand Love”
O instrumentista ressalta que “Hand Pan” é “um forrozinho” sobre a “cultura de paz”. “Desenvolvi a música e mandei para o Ricardo criar a letra, que fala de amor, de evolução, de busca pessoal. Um tema mais existencialista”, conta. “Temos os instrumentos do forró, triângulo, zabumba e acordeon; e também o teclado, o baixo, a escaleta e o handpan. Chamei o Rafa Dias para cantar. Ele é um cara muito talentoso, que tem um timbre que encaixou muito bem na música”.
Encontro com o handpan
Thiago Peixoto conta que descobriu o handpan por acaso, pela internet, por volta de 2015. “Comecei a ver vários vídeos e achei aquele som surreal. Mas não levei à frente a ideia de virar um handpan player. Isso só foi acontecer um ano depois, no Uruguai”.
Na ocasião, em turnê com Ricardo Ulpiano, em Montevidéu, viu uma versão menor do instrumento, feita com pequenos botijões de gás, e adquiriu um. “Comecei a aprender e, depois, comprei um maior, feito pela Pampeano Handpan. É uma empresa do músico e artesão Giancarlo Borba, instalada em Moeda (MG), com quem hoje tenho uma parceria muito bacana. É incrível que atualmente tenhamos uma produção nacional deste instrumento”.
>> Assista: Thiago Peixoto e Rafa Dias tocam “Hand Love” no projeto “Convida”
Em pouco tempo, o projeto chegou inclusive a render frutos. “O primeiro vídeo que fiz foi com o Breno Mendonça, saxofonista aqui de BH. Entramos juntos no edital do Webfestival Uno/Duo, da Vereda Produções, que teve uma parte virtual neste ano, por conta da pandemia. Passamos, e foi bem interessante” conta Peixoto. “Agora, vamos participar juntos de um outro festival instrumental, também virtual, direcionado para a terceira idade, que terá a participação de um contador de histórias”.
Histórico
Thiago Peixoto começou a tocar bateria aos 13 anos. Começou profissional, acumula 20 anos de experiência. Estudou na Bituca – Universidade de Música Popular, onde foi aluno de bateria de Lincoln Cheib. Mais tarde, atuou como baterista substituto do renomado baterista na banda de Vander Lee. Tocou por muitos anos na banda da cantora mineira Érica Machado e ainda em grupos como o Lúdica Música, de Juiz de Fora, sem contar instrumentistas como Carlinhos Ferreira.
Na área da produção musical, foi assistente de estúdio junto a Tom Capone, durante a gravação de “Cosmotron” (2003), do Skank. No estúdio da banda, também trabalhou com nomes como Lô Borges, Sideral e Chaparral. Trabalhou ainda como técnico e engenheiro de som em estúdios como Polifonia e Acústico, entre outros, gravando com artistas como Sérgio Pererê e Vander Lee.
Foto: Divulgação
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.
