Notícias
“DANDARA PARA TODAS AS MULHERES”
O novo trabalho da companhia, sob direção e atuação da cantora, atriz e diretora musical do premiado espetáculo Madame Satã
Solidão, luta, resistência, amor, ofício e maternidade a partir do olhar da mulher negra contemporânea. São os temas abordados em “Dandara Para Todas As Mulheres”, novo espetáculo cênico-musical do Grupo dos Dez, que tem estreia marcada para o dia 30 de janeiro (quinta) e faz curta temporada na Funarte até 2 de fevereiro, de quinta a domingo, sempre às 19h, dentro da programação do Verão Arte Contemporânea. Com direção geral de Bia Nogueira e direção musical de Débora Costa, a obra traz no elenco a artista Bia Nogueira, acompanhada pela banda A Carta - Débora Costa (percuteria e eletrônicos), Thiago Quintino (teclado) convidando Cinara Motta (baixo) -, além de coro de 15 mulheres negras. Participação especial das artistas Andréa Rodrigues, Cleópatra, Kátia Aracelle e Juliene Lelis (narração). Assistência de direção: Rodrigo Jerônimo. A entrada é gratuita (retirada de senhas 1 hora antes da sessão). Gênero: espetáculo cênico-musical. Classificação indicativa: Livre. Mais informações: (31) 3213-3084 e nas redes sociais do @grupodosdez e @bianogueiraoficial.
" ‘Dandara Para Todas as Mulheres’ surge do desejo de trazer a reflexão sobre o ser mulher”, explica a diretora Bia Nogueira. Multiartista negra e representante da geração da nova MPB. Ela conta que a última montagem do Grupo, “Madame Satã” (2014), partiu da figura lendária do Rio de Janeiro das décadas de 60 e 70 para falar sobre homofobia e racismo. Agora, o coletivo evoca a figura quase mítica de Dandara para trazer a discussão sobre machismo, racismo e a resistência da mulher negra contemporânea. “Esse trabalho é uma celebração por estar vivo, viva. Um espetáculo para ver, sentir e dançar, mostrando que a vida resiste e que a arte insiste em tornar o mundo um lugar melhor para todos”, acrescenta.
A obra tem como referência teórica o livro “Mulher, Raça e Classe”, da filósofa estadunidense Angela Davis, que aborda a luta feminista sob a perspectiva da militância negra feminina. “Toda forma de opressão e a luta contra essas opressões, estão registradas, ainda que de maneira distorcida, às vezes ocultada, nas páginas da história mundial. Você pode ser afetada socialmente pelo racismo, pelo machismo, pela LGBTfobia, mas, a grande maioria de nós é classe trabalhadora e temos esse algo em comum. O que eu quero com esse trabalho é trazer a reflexão: o que nos une em tempos como os nossos de intolerância? ”, questiona.
A diversidade também foi um dos critérios utilizados para a escolha do elenco da peça. “Damos protagonismo às mulheres negras, mas também trazemos à cena mulheres brancas e um homem, na banda. A equipe técnica segue a mesma configuração. Apesar da minha história de militância em coletivos que fortalecem a luta negra - o Imune que valoriza a música negra, o Grupo dos Dez (teatro negro), o coletivo Mulheres Criando que realiza o Festival Sonora de valorização da mulher compositora - estou numa fase de querer o diálogo e de me misturar cada vez mais”, explica.
Além da temática de militância que permeia toda trajetória da artista, Bia Nogueira resgata com o novo trabalho um desejo antigo de unir o teatro e a música, especialmente a interseção da música eletrônica e da música acústica, executada ao vivo, em interação com projeções de vídeo, resultando em uma obra multimeios. No repertório, canções autorais e parcerias da artista com Black Josie, Barulhista, Léo Kildare, Marcos Fábio de Faria e Alysson Salvador, além de interpretações de composições de Deh Mussulini com Leonora Weissmann e Charley Vasconcelos com Tamara Franklin e Marcos Fábio de Faria.
A artista diz ainda que a ideia original era fazer um solo, mas a obra ganhou acento documental com a presença em cena de relatos de 15 vozes femininas. “Durante o processo, fiz um chamado às mulheres negras. Em oficina comigo, elas experimentaram a pesquisa estética do grupo dos Dez que é a Ação-musical-dramatúrgica. Nesse encontro, discutimos juntas as histórias de opressão vividas por elas e isso acabou virando cena”, conta.
Foto:Divulgação
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.
