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Depois de 25 anos de estrada, espetáculo Olympia volta a Belo Horizonte

Montagem do Grupo Teatro Andante nasceu entre as ruas da capital mineira e de Ouro preto, percorreu o Brasil, circulou por sete países e agora retorna à cidade para breve temporada comemorativa. As apresentações acontecem de 5 a 8 de fevereiro, na Funarte

Depois de percorrer o Brasil e se apresentar em sete países, o espetáculo Olympia, do Grupo Teatro
Andante, retorna a Belo Horizonte para uma breve temporada comemorativa de seus 25 anos de
trajetória. Inspirado na história real de Sinhá Olympia, personagem lendária que viveu nas ruas de
Ouro Preto, a montagem é um solo da atriz Ângela Mourão, com direção de Marcelo Bones e texto
de Guiomar de Grammont.
Olympia integra a programação da 51ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança de Belo
Horizonte, com apresentações de 5 a 8 de fevereiro, na Funarte MG, sempre às 19h. Os ingressos
podem ser adquiridos antecipadamente por R$25 pelo site do SINPARC, vaaoteatromg.com.br. O
espetáculo conta ainda com o apoio da Funarte MG.
Ao longo de duas décadas e meia, Olympia atravessou contextos, culturas e territórios muito
distintos, mantendo viva uma narrativa que, embora profundamente enraizada em Minas Gerais,
mostrou-se universal. “Quando a gente começou, eu pensava que talvez fosse uma história muito
local, mas, com o tempo, ficou claro que a Olympia toca um arquétipo. Em todo lugar alguém dizia:
tem uma Olympia na minha cidade, na minha família, ou eu me sinto um pouco como ela. Aí a gente
entende que ela é de Ouro Preto, mas é do mundo também”, conta Ângela.
Essa identificação profunda com o público ajudou a construir a longevidade do espetáculo,
apresentado centenas de vezes em contextos muito diversos. Olympia já ocupou palcos tradicionais,
espaços abertos, teatros de cidade pequena, festivais internacionais e até um circo na periferia de
Vitória. A montagem esteve no interior do Amazonas, onde o cenário precisou atravessar o rio de
barco, e no sul da Argentina, na Patagônia, em teatros construídos e geridos por coletivos locais.
“Olympia é um espetáculo atemporal, atual, e está em qualquer lugar. Isso é muito bonito”, resume
a atriz.
A personagem também atravessou profundamente a própria Ângela Mourão. “A Olympia sempre
me ensinou que nem sempre a gente precisa estar dentro do padrão. Ela vivia nas fronteiras, entre a
rua e a casa, entre a sanidade e a loucura, entre o real e o imaginário. E essas fronteiras também
podem ser bons lugares para viver”, reflete Ângela. Segundo a atriz, interpretar Olympia por tanto
tempo também revelou a possibilidade de uma vida longa, pessoal e artística. “Ela me ensina sobre
longevidade, de vida e de arte.”
Essa permanência no tempo não significa repetição. Ao contrário, Olympia segue atual ao abordar
temas como o espaço público, a condição da mulher na sociedade, a diferença e os limites entre
normalidade e desvio, tudo isso por meio de uma linguagem cênica que combina tradição e
contemporaneidade, ancorada em uma dramaturgia assinada em conjunto com Guiomar de
Grammont, e construída de forma polifônica, com múltiplas vozes que narram, comentam e

tensionam a história da personagem, apoiadas por uma trilha original, trabalho corporal rigoroso e
recursos de dança e máscara.
“Não é só a história da Olympia”, explica Ângela. “Existem muitas camadas e trabalho artístico para
construir o espetáculo em si, a forma como ele é estruturado, as técnicas corporais e vocais, a
música, a estética. Tudo isso dialoga com a tradição mineira, nossas histórias, as histórias do Brasil,
mas também com um teatro muito contemporâneo, com as questões contemporâneas, conversa
com o público de hoje.”
O retorno a Belo Horizonte, depois de tantos anos de estrada, ganha, assim, um caráter especial.
Para quem já viu, é a chance de reencontrar Olympia sob novos olhares. Para quem nunca viu, é o
encontro com uma personagem e um espetáculo que seguem vivos, pulsantes e cheios de sentido,
mesmo após 25 anos de caminhada.
Sobre o Grupo teatro Andante
Fundado em Belo Horizonte em 1990 por Marcelo Bones e Ângela Mourão, o Grupo Teatro Andante
construiu ao longo de mais de três décadas uma trajetória marcada pela pesquisa continuada, pela
circulação ampla e pelo diálogo direto com públicos diversos. Reconhecido por um teatro que
atravessa fronteiras geográficas, culturais e estéticas, o grupo mantém uma prática artística baseada
no encontro, na escuta e na investigação da cena como espaço de experiência viva. Olympia, em
cartaz há 25 anos, é hoje o espetáculo mais longevo do Andante e sintetiza essa caminhada,
reunindo pesquisa, rigor artístico e uma relação profunda com o público, no Brasil e fora dele.
A criação de Olympia marca também a parceria do Grupo Teatro Andante com a escritora Guiomar
de Grammont, autora do texto do espetáculo. Construída em diálogo com a pesquisa cênica do
grupo, a dramaturgia se tornou uma das obras mais reconhecidas de sua trajetória no teatro,
contribuindo para a força e a permanência de Olympia ao longo de seus 25 anos de circulação.

SERVIÇO
Espetáculo Olympia - 25 anos
Grupo Teatro Andante
De 5 a 8 de fevereiro, sempre às 19h
Funarte MG (Rua Januária, 68 - Centro)
Ingressos: R$ 25 (antecipado)
vaaoteatromg.com.br
Site: teatroandante.com.br
@gteatroandante
Foto: Daniel Renna Pereira

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