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Dokttor Bhu e Shabê – veteranos do rap mineiro gravam o primeiro DVD da carreira
Dokttor Bhu e Shabê são nomes imprescindíveis da cena rap de Belo Horizonte. A dupla, que iniciou o trabalho em 2006, celebra uma década de carreira com a gravação do DVD "Conglomano: Dokttor Bhu e Shabê 10 anos”. O registro audiovisual conta com as participações de artistas que integraram o CD Conglomano (2013), primeiro álbum dos MCs, que agregou as participações de Tom Nascimento, Radical Tee, Roger Deff (Julgamento), Daniel Sanábria, DJ Edd, Ricardo Cunha e Michelle Oliveira (Cromossomo Africano), Marcus Nascimento e Monge Mascavo. A gravação integra a programação do VAC – Verão Arte Contemporânea - e acontecerá no dia 11/02, a partir das 17h, no CCBB (Praça da Liberdade - 450 –Funcionários). A entrada é gratuita com retirada de ingressos duas horas antes do show na bilheteria.
O trabalho de Dokttor Bhu e Shabê completa 10 anos de estrada, mas os “Paladinos de Plantão” como eles mesmos se denominam de forma bem humorada, estão na cultura Hip Hop belo-horizontina há muito mais tempo. Dokttor Bhu, por exemplo, começou como dançarino debreak no início dos anos 90 e integrou a banda Divisão de Apoio, trabalho que foi o primeiro a agregar instrumentistas na formação clássica do rap. “Estou no rap esse tempo todo de teimosia, não por me achar talentoso, e hoje vejo que tem muita gente que gosta do trabalho e se identifica”, comenta o rapper enfatizando o quanto a persistência foi importante neste processo.
Shabê, por sua vez, começou como dançarino do grupo Caçadores de Estilo. Verdadeira referência da dança de rua na capital mineira durante os anos 90. O primeiro trabalho musical se deu ao lado de amigo Mauro, com quem Shabê dançava no grupo Caçadores de Estilo. A parceria gerou o CD “Shabê e Maurô”, lançado pelo extinto selo Black White Discos.
“Depois que esse trabalho acabou, numa aproximação natural com o Dokttor, e ele também tinha parado com o Divisão de Apoio, propus de fazermos um som juntos aí ele veio com a ideia de uma primeira música que foi a “O Que Cê Quer Broda”, feita sem compromisso para outros sons e estamos aí até hoje”, relembra Shabê.
Rap, funk brazuca setentista e psicodelias
Os anos 70 foram essenciais para vários segmentos artísticos e são imprescindíveis para a música negra norte-americana, de onde nasceram gêneros como o funk e o soul. O Brasil acabou fazendo uma leitura muito particular dessas sonoridades, agregando um sotaque local que deu origem ao que podemos chamar de “funk brazuca”, a exemplo de artistas como Banda Black Rio, Di Melo e o maior ícone deste movimento por aqui, o “síndico” Tim Maia. É essa uma das fontes de pesquisa para o disco “Conglomano”, álbum produzido pelo próprio Dokttor Bhu e cujo repertório é a base do show que dará origem ao primeiro DVD dos rappers.
“Pesquisei a Black Music desde a década de 60 até os anos 80, passando pelo groove, o blues e o jazz, passando pela música da América Latina e escutando também o rock e a psicodelia brasileira”, conta Dokttor.
Além das referências musicais há também as influências de outras linguagens como literatura, quadrinhos e cinema, ingredientes que estão muito presentes na construção das letras e das bases.
O registro contará também com músicas que não entraram no CD, como “O Que Cê Quer Broda”, “Te Encontro no Silêncio” e composições recentes como “Decola”, “Mente Preparada” e “Contraplano”.
As várias participações que se somam para a criação do trabalho dizem muito sobre o espírito agregador dos MCs, que reforçam esse diálogo com gêneros musicais distintos. Não por acaso, o nome “Conglomano” é um neologismo que significa “Conglomerado de Irmãos”.
Proximidade e brodagem
Uma das marcas dos artistas é o diálogo mais próximo com o público, algo como um bate papo, e essa é uma das características que eles pretendem levar para o DVD. “Não é só um show, é uma aproximação com pessoas que talvez eu não conheça”, enfatiza Dokttor, chamando a atenção para o fato de que, como artistas, fazem questão do maior contato com possível seu público, o que inclui esses diálogos que os shows proporcionam.
Quem assina a direção artística do DVD é o guitarrista Ricardo Cunha, que também participa do CD. Dokttor Bhu e Shabê sobem ao palco acompanhados pelos músicos:
Guto Padovani (bateria), Vitor Freitas (baixo), Marcelo Ricardo (percussão), Marcelo Kavalim (teclado e sax), Michelle Oliveira (vocais), Ricardo Cunha (duitarra e direção musical) e DJ EDD VSD (toca-discos)
Foto: Marco Aurélio Prates
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