Notícias

Janeiro Branco - Especialista destaca a importância de cuidar da saúde mental

As pessoas adoecidas dão sinais de que não estão bem e ouvi-las, sem julgamento, pode ser uma das alternativas para ajudar a salvar sua vida

Em janeiro é celebrado o mês de prevenção à saúde mental e chama a atenção para os transtornos mentais. Em 2019, de acordo com a Organização Pan-americana de Saúde (PAHO), quase um bilhão de pessoas viviam com um transtorno mental. Já o suicídio foi responsável por mais de uma em cada 100 mortes e 58% das pessoas que tiraram a própria vida tinham menos de 50 anos de idade. 

Esses dados foram divulgados em relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), em junho de 2022, que ainda traz detalhes alarmantes sobre a piora dos transtornos mentais em todo o mundo, com aumento superior a 25% dos novos casos de depressão e ansiedade. Pesquisa do Ministério da Saúde mostra que, entre 2010 e 2019 foram registradas mais de 112 mil mortes por autoextermínio, o que significa aumento de 43% no número anual de óbitos se compararmos 2019 com 2010.

De acordo com o psiquiatra e cooperado da Unimed-BH, Alexandre Araújo Pereira, falar sobre suicídio é muito importante pois é necessário conscientizar a população sobre como lidar com as emoções e, ao mesmo tempo, acolher, sem julgamento, os amigos ou entes queridos que estão com transtornos mentais. Ele acredita que o tema deve ser revalorizado e há a necessidade de pensar a saúde mental quanto uma estratégia de prevenção.

“É importante desmistificar os transtornos mentais ou psiquiátricos para que todos nós possamos ajudar de forma preventiva quem necessita. As pessoas adoecidas dão sinais diretos e indiretos de que não estão bem. Para saber se ela tem intenção de acabar com a própria vida, temos que nos aproximar, conversar, sem julgamento”, destaca o especialista, que argumenta ainda que a escuta é, portanto, uma grande aliada nesse processo.

Ele acredita que ao falar, a pessoa pode entender o que a faz se sentir acuada ou impossibilitada de resolver algum desafio na vida. “Geralmente, quando ela fala, não executa a ação. Isso porque, durante a sua fala, tem a perspectiva de pensar, refletir, rever as suas ideias e, quem sabe, estar disponível a uma ajuda”, salienta.

 

Mas como identificar quem está com algum transtorno? 

Há uma relação grande entre o transtorno mental e o suicídio. A maioria das pessoas que se matam tem algum transtorno mental que, muitas vezes não é identificado antecipadamente. Dr. Alexandre orienta que a observação em relação ao outro também seja predominante. Ele destaca alguns fatores que podem levar ao suicido: depressão; transtorno bipolar; problemas relacionados ao álcool e drogas; doenças mentais mais severas como a esquizofrenia. “Os indivíduos com personalidades e características de impulsividade e aquelas com limiar mais baixo de tolerância à frustração também podem estar mais propensos a se matar”, exemplifica. 

Há a necessidade também de se fazer uma avaliação mais detalhada de cada caso. Como exemplo, o médico destaca a ansiedade, que tem sido um dos transtornos mais comuns nos dias de hoje. Ele conta que o sentimento é considerado normal ao ser humano já que nos deixa mais alertas e mais focados perante os desafios. Porém, quando fica muito intenso e gera sofrimento de longo prazo, a ansiedade deve ser abordada e tratada. A mesma coisa ocorre com a tristeza, falta de energia e sensação de desprazer com a vida. Quando a tristeza é fugaz, principalmente motivada por algum evento externo, ela pode ser passageira, algo normal na vida de todos. Mas quando passa a gerar sofrimento contínuo, levando a um prejuízo importante do nosso dia a dia, provavelmente trata-se de depressão, que deve ser identificada e também tratada. 

Pereira ressalta que existem várias condutas a serem tomadas em pacientes ansiosos e depressivos, partindo desde a tentativa em equilibrar o ritmo de vida entre trabalho, lazer, vida social e relação interpessoal; que pode ser buscada pela psicoterapia, atividade física e algumas práticas como meditação, Yoga por exemplo. Em casos mais graves, o paciente pode se beneficiar muito da utilização de medicamentos, que devem ser prescritos apenas por médicos. 

Saúde mental x pandemia

Apenas no primeiro ano da pandemia da Covid-19, 53 milhões de pessoas desenvolveram depressão, outros 76 milhões tiveram ansiedade — totalizando 129 milhões e altas de 28% e 26% da incidência, respectivamente.  O isolamento social trouxe uma mudança drástica na rotina. Excesso de notícias ruins, home-office, aulas on-line e outros fatores fizeram com que a população adoecesse. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconheceu esse fenômeno generalizado de cansaço decorrente da pandemia e apelidou o sintoma de “fadiga pandêmica”.

Para o especialista que manteve o atendimento clínico durante a pandemia, foram observados no período alguns problemas relacionados à ansiedade, conciliação do sono, aumento de consumo do álcool e fumo e, ainda, um certo cansaço, fadiga e a dificuldade das pessoas se manterem em estado de isolamento e perderem contatos pessoais.  

Segundo ele, os idosos e crianças tiveram muita dificuldade de adaptação. Os idosos necessitam de momentos de socialização e manter hábitos importantes como a atividade física. As crianças, por sua vez, além da socialização tiveram que se adaptar ao ensino à distância, o que gerou estresse, cansaço, dificuldade de adaptação e problemas psicológicos. Vale destacar que os jogos e as telas também foram fatores que influenciaram na saúde mental de crianças e adolescentes. 

As mulheres também foram as que mais sofreram já que tiveram sobrecarga de trabalho entre os afazeres da casa e do home-office.  

 

Hora de quebrar barreiras 

É importante tentar acabar com a resistência por parte das pessoas sobre a saúde mental para que o sofrimento psíquico possa ser abordado como qualquer outra doença. “Muitas pessoas acham que só gente que perde totalmente a razão, pessoas que comumente chamamos de loucas procuram o psiquiatra, mas há muito tempo isso já tem mudado. Hoje a psiquiatria tem que lidar com muitas outras demandas. Além dos transtornos mentais mais graves, somos procurados por pessoas que querem se conhecer melhor, se aprimorar na relação consigo próprias e com o mundo, que está em rápida transformação. Importante lembrar que sem saúde mental fica difícil construir uma vida saudável. Cada um de nós está nessa busca, de correr atrás da nossa saúde mental possível, já que um ideal de perfeição e total falta de sofrimento é algo que a nossa humanidade não permite”.

Foto: Pixabay

Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.