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Espetáculos “Clínica do Sono” e “Controle de Estoque” em curta temporada na Campanha

Após realizar turnê pelo interior de Minas Gerais por meio do Programa Trilha Cultural BDMG, o espetáculo “Clínica do Sono” do coletivo T.A.Z retorna a Belo Horizonte para curta temporada na Funarte MG, abrindo a mostra de projetos especiais da 43ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança de Belo Horizonte. As apresentações acontecem nos dias 06, 07 e 08 de janeiro de 2017, sexta a domingo, às 20h, na Funarte MG (rua Januária, 68, Floresta). Ingressos a R$ 10 (antecipado/meia) e R$ 20 (inteira). Compra antecipada de ingressos: vaaoteatromg.com.br. Também participa da mesma mostra o trabalho mais recente do coletivo, a peça“Controle de Estoque”, que realizou apenas cinco sessões em Belo Horizonte. As apresentações do espetáculo acontecem nos dias 13, 14 e 15 de janeiro de 2017, sexta a domingo, às 20h, na Funarte MG (rua Januária, 68, Floresta). Ingressos a R$10 (antecipado/meia) e R$ 20 (inteira). Compra antecipada de ingressos: vaaoteatromg.com.br.

Oficina. Nos dias 18 e 19 de janeiro, quarta e quinta, das 9h às 13h, o dramaturgo Daniel Toledo oferece gratuitamente a oficina“Laboratório de Ideias Teatrais”, no CCBB, com carga horária de 8h/aula. A oficina tem como objetivos o compartilhamento de processos de criação e o desenvolvimento de projetos e ideias teatrais levados pelos próprios participantes. Mais informações e inscrições: vaaoteatromg.com.br (projetos especiais)

T.A.Z. é um coletivo artístico formado por Akner Gustavson, Beatriz França, Daniel Toledo, Flora Maurício, Regina Ganz e Will Soares, entre outros colaboradores e colaboradoras.  

 

Sobre “Clínica do Sono”

Sinopse. Recém-chegada ao Brasil, a bem-intencionada "Clinica do Sono" oferece tratamentos para diferentes distúrbios de sono, mas não tarda a revelar um equilíbrio perverso entre exploração e filantropia.

O espetáculo “Clínica do Sono” estreou em maio de 2015 e, de lá pra cá, realizou mais de quinze apresentações em Belo Horizonte e no interior de Minas. A peça se constitui como uma fábula crítica e bem-humorada que convida o público à rotina de uma organização supostamente filantrópica cujo objetivo oficial é abrigar indivíduos com distúrbios de sono. Em cena, colaboradores e candidatos, tal qual o próprio público do espetáculo, aguardam o início de mais uma apresentação institucional da empresa, que não tarda a revelar, com boas doses de humor e ironia, um equilíbrio perverso entre desigualdade, exploração e filantropia.

Entre as imagens audiovisuais que integram a cenografia do espetáculo, figuram registros de cidades devastadas pelo pulso imperialista que desencadeou a 2ª Guerra Mundial, sequências que remetem à permanente desconstrução e reconstrução das cidades contemporâneas pelas forças do mercado, assim como cenas que remetem a guetos urbanos, a  exemplo da Blikkiesdorp, “cidade” de containers criada pelo governo sul-africano para abrigar (ou segregar?) moradores pobres da Cidade do Cabo durante a Copa do Mundo de 2010.

 

CRÍTICAS

“Já nas primeiras falas de Sidnei, uma das virtudes do texto sobressai: há uma coloquialidade própria, uma fala veloz e repetitiva que dialoga com a oralidade mundana, com esse fenômeno típico da cidade contemporânea que é o momento no qual alguém desconhecido, no ponto de ônibus ou na fila do pão, desata a falar sobre a própria vida sem que lhe perguntemos. (...) Sidnei é um personagem fabuloso: homem médio, modesto e de poucas ambições, cujas principais virtudes são a obediência e a gratidão”.

“Seidl também é uma personagem potente, ao mesmo tempo típica e singular, que sintetiza comicamente características da classe média atual: a reclamação sobre o trânsito, as preocupações superficiais com a bolsa e o desemprego, o gosto pela filantropia, a arrogância no trato com os empregados”

“Embora se apresente como um ‘caminho alternativo ao sistema soberano’, a instituição mais parece uma reprodução em miniatura de suas regras mais perversas. O texto inteiro é tomado por essa oscilação forte entre o dentro e o fora: a clínica do sono é o que vemos no teatro ou é o sistema lá fora?”

“A potência de ‘Clínica do Sono’ consiste em diagnosticar com inteligência e acuidade uma doença do tempo e transformá-la em teatro de forma ao mesmo tempo leve e perturbadora, sutil e incisiva”.

*Victor Guimarães, crítico independente de teatro e cinema

 

Sobre “Controle de Estoque”

Sinopse. Em uma grande empresa internacional onde todas as funcionárias se chamam Sandra, acompanhamos, como candidatos, à intensa rotina do setor de recursos humanos.

Tendo como referência experiências e pesquisas sobre estruturas corporativas na China e no Brasil, “Controle de Estoque” problematiza, a partir de recursos como o humor e a ironia, questões como os usos e abusos de poder no universo corporativo. A partir desses contextos, revelam-se vestígios de uma forte tradição colonial, exploradora e escravocrata que ainda hoje se vê no Brasil, seja em pequenas, médias ou grandes estruturas de produção industrial. Controle de Estoque” propõe também um claro diálogo com a linguagem documental, apropriando-se de registros audiovisuais da China contemporânea, desde a vida nas remotas cidades do interior até a realidade das grandes fábricas.

Tendo realizado apenas cinco apresentações em Belo Horizonte, entre 2015 e 2016, a montagem propõe uma ocupação das dependências da Funarte MG, experimentando os ambientes do edifício como diferentes setores da fictícia empresa que dá título à peça. “Controle de Estoque” se passa, principalmente, dentro do setor de recursos humanos dessa empresa, e dá continuidade a uma pesquisa estética do coletivo sobre a possibilidades de convívio entre atores e espectadores, a partir da atribuição de um papel específico aos integrantes do público - nesse caso, pessoas à procura de emprego.

 

Sobre o “Laboratório de Ideias Teatrais”, com Daniel Toledo (T.A.Z)

A oficina propõe uma abordagem da prática dramatúrgica dirigida a artistas interessados na escrita teatral (dramaturgos, atores, diretores, coreógrafos etc.), tendo como objetivo o desenvolvimento de ideias teatrais e obras em processo trazidas pelos participantes. Dividida em dois encontros, a atividade se estrutura a partir de conversas sobre autoria e dramaturgia, relatos de processos criativos, exercícios práticos de escrita e análises críticas de textos produzidos pelos participantes, gerando um espaço propício ao compartilhamento de diferentes táticas e estratégias para relacionar escrita e cena. 

 

Sobre o coletivo T.A.Z.

T.A.Z. é um coletivo artístico criado em 2010 pelo ator, diretor e dramaturgo Daniel Toledo e a atriz e produtora Regina Ganz. Desde então, a partir de colaborações com outros artistas, o coletivo desenvolve pesquisas e criações em artes cênicas, investigando problemáticas relacionadas à sociedade contemporânea. A primeira investigação do coletivo se volta ao universo do trabalho e à experiência do trabalhador, desdobrando esse tema em uma trilogia de espetáculos com dramaturgias autorais que investigam, ainda, possibilidades de convívio entre atores e espectadores. São eles: “Fábrica de Nuvens (2013), “Clínica do Sono” (2015) e “Controle de Estoque” (2017). Atualmente, o coletivo é formado também pelos artistas Akner Gustavson, Beatriz França, Flora Maurício e Will Soares, além de outros colaboradores.

 

Sobre Daniel Toledo

Daniel Toledo é dramaturgo, ator e diretor teatral, além de pesquisador e crítico em artes cênicas, performance e artes visuais, com mestrado em sociologia pela UFMG. Fundador e coordenador artístico do coletivo T.A.Z, assina dramaturgia e direção dos espetáculos "Fábrica de Nuvens" (2013), "Clínica do Sono" (2015) e "Controle de Estoque" (2015). Como dramaturgo e roteirista, colaborou também com o coletivo Toda Deseo, em "Nossa Senhora [do Horto]" (2016), a Cia. Afeta, em "Talvez eu me despeça" (2014), e a diretora Rita Clemente, em "Delírio & Vertigem" (2012) e "Proibido Deitar" (2010), entre outros artistas de Belo Horizonte. Seus trabalhos já circularam por Brasil, Argentina e Portugal. É ainda integrante do coletivo de artes visuais Piolho Nababo, membro-associado do Centro de Arte e Tecnologia e co-editor do site de crítica de teatro Horizonte da Cena.

 

Foto: Andre Hallak

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