Coberturas
Café com a imprensa marca abertura da exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino” no Centro Cultural Banco do Brasil BH
Centro Cultural Banco do Brasil BH, 04/03/2026
Por Inês Marzano
Na manhã desta terça-feira, 3 de março, o Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte promoveu um café especial para a imprensa, antecipando a abertura da exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”, que entra em cartaz de 4 de março a 1º de junho. O encontro reuniu jornalistas, produtores culturais e convidados para uma visita prévia à mostra, que inaugura a programação do Mês da Mulher na capital mineira.
Recebidos com um brunch, os convidados puderam percorrer, em primeira mão, as 13 obras da artista maranhense Marlene Barros, que transforma práticas têxteis como bordado, crochê e costura em linguagem estética, política e poética. A curadora Betânia Pinheiro também participou do encontro, apresentando os eixos conceituais da exposição e dialogando com a imprensa sobre o processo curatorial.
Tecitura como gesto de resistência
Com mais de quatro décadas de trajetória, Marlene Barros constrói uma obra profundamente ligada ao universo feminino. Durante o café, a artista destacou que a exposição nasce do desejo de tensionar o lugar historicamente imposto às mulheres na arte e na sociedade. “Durante séculos, mãos femininas bordaram silêncios”, relembra, ao comentar como técnicas tradicionalmente associadas ao espaço doméstico foram desvalorizadas e relegadas à condição de artesanato.
Na mostra, agulha e linha assumem outro estatuto: tornam-se instrumentos de denúncia, elaboração simbólica e reconstrução de narrativas. O gesto de costurar deixa de ser íntimo e silencioso para ocupar o espaço institucional como discurso crítico.
Corpo, identidade e coisificação
Entre as obras apresentadas, trabalhos como Eu tenho a tua cara, Caixa Preta e Coso porque está roto evidenciam a potência conceitual da artista ao abordar temas como identidade, alteridade, memória e reparação simbólica. Em instalações que articulam fotografia, tecido, intervenção e escrita, Marlene questiona a coisificação do corpo feminino e os padrões normativos que atravessam sua construção social.
A exposição também problematiza a naturalização do cuidado como atribuição exclusiva das mulheres e a permanência de estruturas que limitam sua ascensão profissional e reconhecimento artístico. O percurso expositivo não segue ordem cronológica, permitindo que o público construa sua própria experiência entre matéria, gesto e memória.
Arte como espaço de escuta e transformação
Durante a conversa com os jornalistas, foi enfatizado o papel da arte como ferramenta de transformação social, especialmente em um contexto contemporâneo ainda marcado por violências de gênero. Para Marlene, a arte cria deslocamentos e rompe indiferenças, abrindo espaço para que feridas sociais sejam expostas e simbolicamente reparadas.
A temporada no CCBB BH também contará com ações formativas abertas ao público, incluindo visita mediada com a artista e a curadora, palestra e a oficina “Arpilleras de si”, que resultará em uma obra-instalação integrada à exposição.
Integrante do Circuito Liberdade, o Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte reafirma, com a abertura da mostra, seu compromisso com a democratização do acesso à arte e com o fortalecimento de debates urgentes no cenário contemporâneo.
A exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino” segue em cartaz até 1º de junho, com entrada gratuita, consolidando-se como um dos destaques culturais do Mês da Mulher em Belo Horizonte.
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